A cidade e o gênero: desafios enfrentados pelas mulheres no espaço urbano de São Paulo

Categoria: Artes e Letras Subcategoria: Arquitetura

Este artigo foi disponibilizado diretamente pelo autor e ainda não passou por revisão editorial.

Submissão: 16/10/2025

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Jéssica Barbosa

Curriculo do autor: Cursando Arquitetura e Urbanismo em Universidade Paulista Ensino médio completo com técnico em Recursos Humanos em ETEC DA ZONA LESTE

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Resumo

O presente artigo analisa o planejamento urbano da cidade de São Paulo e como ele falha em atender às necessidades de mulheres, meninas e mães. Mesmo sendo a maior metrópole do Brasil, São Paulo ainda enfrenta sérios desafios relacionados à segurança pública. Casos de violência contra mulheres continuam recorrentes, em geral cometidos por homens e em locais mal iluminados, desertos ou sem vigilância. O planejamento urbano paulistano, ao negligenciar a perspectiva de gênero, contribui para a criação de áreas de risco e para a sensação constante de medo. O estudo discute se a cidade foi pensada para acolher as mulheres e de que forma a ausência de cuidados com o espaço urbano aprofunda a insegurança. Além disso, destaca-se que a precariedade da infraestrutura impacta também mães com carrinhos de bebê e pessoas com mobilidade reduzida, reforçando a importância de políticas urbanas mais inclusivas e acessíveis.

Palavras-Chave

Planejamento urbano, segurança, São Paulo, mulheres, acessibilidade.

Abstract

This article analyzes the urban planning of São Paulo and how it fails to meet the needs of women, girls, and mothers. Despite being Brazil's largest metropolis, São Paulo still faces serious challenges regarding public safety. Cases of violence against women are frequent, mostly committed by men and occurring in poorly lit, deserted, or unsupervised places. By neglecting gender perspectives, the city’s urban planning contributes to the creation of unsafe areas and a persistent sense of fear. The study questions whether São Paulo was designed to welcome women and how urban neglect reinforces insecurity. It also highlights how inadequate infrastructure affects mothers with strollers and people with reduced mobility, emphasizing the need for more inclusive and accessible urban policies.

Keywords

Urban planning, security, São Paulo, women, accessibility.

O objetivo deste artigo é analisar o planejamento urbano da cidade de São Paulo e seus impactos diretos na vida das mulheres, sobretudo no que se refere à segurança e ao bem-estar. Embora seja a metrópole mais populosa do Brasil, São Paulo enfrenta inúmeros desafios que comprometem a qualidade de vida de seus habitantes. Apesar de avanços pontuais ao longo do tempo, a sensação de insegurança ainda é marcante no cotidiano de quem vive ou circula pela cidade. Grande parte das vias públicas apresenta iluminação insuficiente, baixo fluxo de pessoas e infraestrutura inadequada — fatores que favorecem práticas de violência, como o assédio e outros crimes.
Diante disso, o estudo propõe uma reflexão sobre até que ponto o espaço urbano foi projetado para garantir o cuidado e a proteção de todos os cidadãos. Foram coletados relatos de mulheres que enfrentam esses obstáculos diariamente, buscando compreender de que maneira o planejamento urbano poderia se tornar mais inclusivo, acessível e seguro para todas as pessoas.

A presente pesquisa discute, principalmente, como o planejamento urbano da cidade de São Paulo foi desenvolvido de maneira pouco segura e insuficiente para atender às demandas de mulheres, meninas e mães.
Mesmo entre visitantes e moradores, é consenso que São Paulo não é uma cidade acolhedora nem fácil de se viver. Relatos sobre as dificuldades do dia a dia urbano são frequentes, especialmente no que diz respeito à segurança.

Embora o índice de homicídios tenha diminuído, conforme matéria do portal G1, os registros de mortes decorrentes de ações policiais, estupros, feminicídios e latrocínios aumentaram. Essa discrepância revela um cenário preocupante, visto que dois desses quatro crimes atingem diretamente as mulheres.
O número de ocorrências tem crescido ano após ano, e relatos de mulheres que caminham pelas ruas de São Paulo com medo tornaram-se comuns. Muitas delas já foram vítimas de assédio, abuso ou sequestro — crimes cometidos, em sua maioria, por homens e em locais com pouca ou nenhuma vigilância.

Essas situações deixam marcas profundas nas vítimas, gerando traumas e medo constante de transitar pela cidade. Muitos casos envolvem inclusive agressores conhecidos, como ex-companheiros, o que reforça o caráter estrutural da violência de gênero.

A partir disso, surgem questões fundamentais:

  • São Paulo foi planejada para acolher e proteger as mulheres?

  • As necessidades femininas foram consideradas no processo de planejamento urbano?

  • Se sim, por que ainda existem tantos espaços escuros, mal iluminados, desertos ou com muros altos que dificultam pedir ajuda?

Ao analisar essas perguntas, observa-se que São Paulo não foi estruturada considerando as especificidades das mulheres. Vielas e becos escuros, ruas cercadas por muros altos, praças abandonadas e mobiliários urbanos mal posicionados tornam-se ambientes propícios a situações de risco.
Mesmo com ocorrências diurnas, a maior parte dos crimes acontece durante a noite, quando a cidade se torna ainda mais vulnerável.

Além da insegurança, há obstáculos na locomoção diária, especialmente para mulheres que são mães ou cuidadoras. Calçadas irregulares, buracos e superfícies escorregadias dificultam o deslocamento com carrinhos de bebê e aumentam o risco de acidentes. Melhorias urbanas beneficiariam não apenas essas mulheres, mas também idosos e pessoas com deficiência, ampliando a acessibilidade e a autonomia de todos os cidadãos.

Com base nisso, foi realizada uma pesquisa inspirada no livro “E se a cidade fosse nossa?” de Joyce Berth, com o intuito de compreender melhor as percepções e necessidades das mulheres paulistanas.

Foram entrevistadas quatro mulheres residentes da cidade de São Paulo, que responderam às seguintes perguntas:

  1. Você sente que pode circular livremente por todos os espaços da cidade?

  2. Você transita por todos os espaços em qualquer horário sem preocupação?

  3. Você acredita que as áreas da cidade estão adequadamente preparadas para receber todos os cidadãos, considerando diferentes necessidades físicas e sociais?

  4. Você se sente segura e protegida em qualquer horário ao andar pela cidade?

Entrevistada 01 – Izabella Fernandes dos Santos, 23 anos

  1. Não, especialmente por ser mulher. Lugares com pouca movimentação me deixam insegura.

  2. Apenas quando há necessidade, mas com muito receio, principalmente à noite.

  3. Nem todos os locais são preparados. Algumas áreas têm boa estrutura, mas faltam adaptações para pessoas com deficiência.

  4. Não me sinto segura, sobretudo no período noturno.

Entrevistada 02 – Giovana Aquino, 21 anos

  1. Não. Como mulher, estou sempre em alerta, evitando locais isolados.

  2. Procuro resolver compromissos enquanto há luz do dia e evito andar sozinha.

  3. A infraestrutura ainda é deficiente e carece de acessibilidade.

  4. Não. Já fui seguida e coagida nas ruas, e por medo, prefiro estar acompanhada.

Entrevistada 03 – Sara Santos Costa, 22 anos

  1. Não. Muitos locais me causam insegurança.

  2. Mesmo em lugares conhecidos, ando preocupada.

  3. A mobilidade é precária, com calçadas irregulares e buracos.

  4. Não me sinto segura em nenhum horário.

Entrevistada 04 – Amanda Marçal Viana, 24 anos

  1. Não. A falta de padronização das calçadas e ruas causa desconforto e dificuldade de acesso.

  2. Depende do horário e da região. A insegurança é maior à noite.

  3. A infraestrutura precisa melhorar muito. Falta piso tátil, rampas e adequações no mobiliário urbano.

  4. Não me sinto segura em momento algum, especialmente à noite.

Com base na pesquisa, constatou-se que as mulheres entrevistadas não se sentem confortáveis nem seguras ao circular pela cidade de São Paulo. As irregularidades na infraestrutura urbana e a ausência de um planejamento sensível às suas necessidades tornam a experiência urbana excludente e opressora.

Assim, conclui-se que São Paulo não foi planejada considerando as mulheres como cidadãs plenas do espaço urbano. A falta de acessibilidade, iluminação adequada e vigilância contribui para o medo e limita a liberdade de locomoção. Além das mulheres, outros grupos — como idosos e pessoas com deficiência — também são afetados pela precariedade da infraestrutura.

É imprescindível que propostas de requalificação urbana sejam levadas a sério pelo poder público, de modo a transformar a cidade em um ambiente mais humano, seguro e acessível. A conscientização sobre essas questões é fundamental para promover uma cidade que acolha, proteja e ofereça autonomia a todos os seus habitantes, sem distinção de gênero ou condição física.

Como citar este texto (NBR 6023:2018 ABNT)

Barbosa, Jéssica. A cidade e o gênero: desafios enfrentados pelas mulheres no espaço urbano de São Paulo. Disponível em: https://revistadifatto.com.br/artigos/a-cidade-e-o-genero-desafios-enfrentados-pelas-mulheres-no-espaco-urbano-de-sao-paulo/. Acesso em: 03/05/2026.