Educação e Tecnologia: O desafio da formação da Criança das séries iniciais na era digital
Autores
Resumo
Esta monografia, “Educação e Tecnologia: desafios da formação da criança das séries iniciais na Era digital”, tem como principal objetivo analisar o uso das tecnologias como recurso pedagógico no processo de aprendizagem da criança nas séries iniciais, abordando, os diversos desafios e dificuldades que os educadores têm enfrentado para incluir seus alunos e suas metodologias no mundo tecnológico. Esse projeto permitiu observar como os professores das séries iniciais relacionam as tecnologias em sua prática docente e a falta de infraestruturas nas escolas. Mesmo com várias tecnologias de ponta, ainda existem professores com grandes dificuldades no gerenciamento do planejamento, o que dificulta o uso das tecnologias em sua prática. Por isso, essa pesquisa foi norteada pelas seguintes questões: “O que é tecnologia?”, “As tecnologias educam?”, “Como utilizar as tecnologias na educação da criança?” “Em que medida as Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) facilitam a aprendizagem?”, “Quais as tecnologias educacionais?” Dessa forma, como objetivos específicos esta pesquisa buscou relacionar tecnologia e educação, analisando as possibilidades de incluir as tecnologias na educação da criança, contextualizando sua importância nesse processo, como ferramentas aliadas ao ensino desde as séries iniciais, identificando a utilização das TICs e verificando de que forma ou se os professores as utilizam, concluindo assim a pesquisa. Esse estudo possui uma metodologia básica, de forma qualitativa, com objetivo exploratório e procedimento bibliográfico, descritivo e observacional. Dentre as bases teóricas estão: Pierre Lévy (1993 e 1999); Cláudia Lopes Pocho (2009); Robson Pequeno de Sousa; L. R. G Alves (2001); Mercado (2002); Cysneiros (2000); Vieira Pinto (2005); Warschauer (2006); (Rodrigues, 2001); Vygotsky (1998); Piaget (1973), entre outros. Nessa pesquisa, nos debruçamos na densa compreensão da relação entre Educação e Tecnologia e nas questões do processo de ensino e aprendizagem com a utilização das TICs no processo educativo.
Palavras-ChaveEducação. Tecnologia. Formação.
Abstract
The main objective of this monograph, "Education and Technology: The challenge of the formation of children of the initial series in the digital age", had as main objective to analyze the use of technologies as a pedagogical resource in the learning process of children in the initial series, addressing the various challenges and difficulties that educators have faced in order to include their students and their methodologies in the technological world. This project allowed to observe how the teachers of the initial grades relate the technologies in their teaching practice and the lack of infrastructures in the schools. Even with several cutting-edge technologies, there are still teachers with great difficulties in planning management, which makes it difficult to use the technologies in their practice. Therefore, this research was guided by the following questions: "What is technology?", "Technologies educate?", "How to use technologies in the education of children?" "ICTs facilitate learning?" "What technologies the specific objectives of this research were to relate technology and education, analyzing the possibilities of including technologies in the education of children, contextualizing their importance in this process, as tools allied to teaching since the initial grades, identifying the use of ICTs and verifying how or if teachers use them, thus completing the research. This study has a basic methodology, in a qualitative way, with an exploratory objective and a bibliographic, descriptive and observational procedure. Among the theoretical bases are: Pierre Lévy (1993 and 1999); Cláudia Lopes Pocho (2009); Robson Pequeno de Sousa; L. R. G Alves (2001); Market (2002); Cysneiros (2000); Vieira Pinto (2005); Warschauer (2006); (Rodrigues, 2001); Vygotsky (1978); Piaget (1973), among others.
KeywordsEducation. Technology. Training.
Este trabalho de conclusão de curso originou-se da disciplina Metodologia da
Pesquisa e se estendeu ao longo das demais disciplinas do eixo da Pesquisa em
Educação no escopo do Curso de Pedagogia da UFAM, sendo elas: Projeto de Pesquisa
I e II, e Seminário de Pesquisa, as quais nos proporcionaram experiências e muitos
questionamentos sobre como as tecnologias digitais, no ambiente educacional, podem
contribuir para a formação da criança.
As disciplinas do eixo da Pesquisa em Educação nos remetem a um olhar crítico
e reflexivo frente ao objeto de estudo, pois são através dessas experiências e leituras que
conseguimos apurar um conhecimento científico, e, assim, conhecer a realidade e
explicá-la de uma forma diferente, abandonando o senso comum.
Neste sentido, ao longo da graduação em Pedagogia identificamos a importância
de formar nossos alunos com base no seu cotidiano, numa dinâmica educacional que
não se separa da sua realidade, oferecendo-lhes possibilidades de construção do
conhecimento, levando em conta os saberes já adquiridos, o lugar onde vive e sua forma
de ver e compreender o mundo. Em razão disso, exponho minha motivação pessoal em
pesquisar as Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) como ferramentas no
processo da formação da criança, identificando o professor como sujeito mediador desse
processo para centralizar minhas investigações, trazendo olhares de como são utilizadas
as tecnologias nas escolas e quais concepções que elas seguem. Frente a isso, pensamos
como as ações pedagógicas relacionadas às tecnologias digitais podem auxiliar a criança
em aprendizagem e desenvolvimento, indagando como essa relação é vista e
desenvolvida na escola.
Logo, chegamos a uma era denominada como digital que a cada dia avança
como um rastilho de pólvora. Este avanço leva-nos ao estudo sobre sua utilização no
ambiente educacional, mas, para isso, é necessário que as escolas se reinventem. Porém,
a ideia não é abandonar os livros didáticos, o quadro branco ou qualquer outra
tecnologia existente das quais os professores utilizam em suas aulas, mas sim incluir
mais um recurso em suas metodologias, aliando-se as tecnologias digitais, uma vez que
elas estão presentes no cotidiano das crianças e é o principal instrumento que elas usam
atualmente.
Academicamente, as diversas leituras realizadas nas disciplinas do eixo da
pesquisa em Educação, e debates ocorridos na disciplina Mediações Didáticas do curso
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Pedagogia, contribuíram para fundamentar a ideia de se estudar o referente tema,
percebendo que as TICs proporcionam relações interativas na aprendizagem e um
ensino de qualidade, logo, as TICs podem e são importantes aliadas ao ensino, o que
constitui a nossa motivação acadêmica.
O termo “tecnologia” é empregado a tudo que o homem inventa para tornar sua
vida mais fácil. Cientificamente, as tecnologias contribuem para grandes invenções,
nesse sentido, o emprego da palavra “tecnologia” está relacionada à questão das
máquinas que são utilizadas para fabricar peças e objetos de utilidade humanas. Em sua
maioria, “tecnologia” é um conjunto de aparelhos e dispositivos sofisticados que
utilizamos na comunicação, no trabalho, em casa e entre outros setores da sociedade. De
qualquer forma, as tecnologias trouxeram para a sociedade várias possibilidades de se
viver de maneira fácil, ágil e agradável.
Dessa forma, enfatizamos a importância discussão sobre o tema, visto que, o
homem sempre necessitou se reinventar para tornar sua vida mais prática. Houve época
em que, para nos comunicarmos utilizávamos a linguagem dos gestos, expressões
faciais ou até mesmo grunhidos, como outros animais. A linguagem verbal foi uma
linguagem que surgiu em um tempo oportuno.
Do ponto de vista do desenvolvimento individual, nascemos sem saber falar,
mas ao decorrer do tempo, apropriamo-nos da fala, aprendendo com a convivência.
Assim como na leitura e na escrita, aprendemos a nos apropriar dessas linguagens
através da mediação de alguém. Para Vygotsky (1998), o desenvolvimento humano não
se dá somente por questões biológicas e de maturação, sobretudo, o meio, no qual
envolve a cultura, práticas e interações são fatores que contribuem para seu
desenvolvimento individual. Ou seja, sempre estamos aprendendo e evoluindo em
nossa vida no contato e na aceitação do novo.
Segundo Lima (2007), antigamente no âmbito educacional, a fala era o único
recurso usado para a transmissão do conhecimento, a modo que, atualmente, a partir de
estudos feitos por pesquisadores da área da pedagogia como Paulo Freire e Rousseau
que nos mostram um novo olhar para a educação, são utilizados além da fala vários
outros recursos para facilitar a internalização do conhecimento, a saber: o
manuseamento de livros didáticos, revistas, jornais, a internet, aparelhos digitais, jogos
educacionais, etc.
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Um exemplo foi Sócrates, um filósofo que usava apenas a fala como recurso no
seu processo pedagógico focado no diálogo. De Sócrates até a invenção da prensa de
tipo móvel, no século XV da era cristã, o livro foi pouco usado na educação.
Com o aparecimento do livro impresso, a partir de 1455, em meio à invenção da
prensa, o uso do texto se disseminou rapidamente. Segundo Lima (2007, p. 276), “a
escrita foi um dos mais importantes desenvolvimentos técnicos do ser humano , assim
como a fala foi o principal instrumento utilizado no tempo da oralidade primária,
diversos tipos de sistemas de sinais gráficos, incluindo o alfabeto tornaram-se os
instrumentos principais da escrita”.
O livro passou a ser a principal tecnologia usada na educação, o que não se
diferencia na atualidade. Mas a diferença é que, naquela época, o livro competia por
espaço com a fala e a comunidade, e estas, ocuparam um papel secundário na educação.
Posteriormente, o livro e a fala encontraram uma forma pacífica de convivência. E este
é o foco da pesquisa, não defendemos a ideia da substituição de um recurso pelo outro,
mas integrá-los, a fim de que haja uma aprendizagem e desenvolvimento integral e um
ensino interdisciplinar.
Nos dias de hoje, mesmo com a criação das Tecnologias de Comunicação e
Informação (TIC), computadores, projetores multimídias, telão, lousa digital e até
mesmo a internet, ainda encontramos modelos de ensino que não as inserem, porém, é
apenas uma questão de tempo para que esse paradigma mude totalmente.
Em função disso, debruçamo-nos sobre esse estudo, na tentativa de contribuir
para uma reflexão de repensar todo o processo, a reaprender a ensinar, a estar com os
alunos, a orientar as atividades, uma vez que o processo de subversão está em curso.
Então, optar pelo tema “Educação e Tecnologia: O desafio da formação da
criança das séries iniciais na Era Digital” possibilitou a ampliação de estudos
pedagógicos referente ao tema, e que, certamente contribuiu para uma científica
formação docente frente às tecnologias que necessitam serem incluídas sem receio
dentro das escolas.
Nesta perspectiva, a proposta desta pesquisa auxilia na formação e na aquisição
do conhecimento, por meio da explanação da teoria e da prática observada no decorrer
desse estudo, tornando-se importantíssimo, seja para aluno, seja para professor e, assim,
criar novos caminhos para esse assunto tão debatido e infinito chamado educação.
Portanto, esse trabalho é composto por capítulos, sendo eles: Capítulo 1, que
tratará sobre os aspectos estruturais do trabalho, procurando apresentar de uma forma
clara o tema da pesquisa. Capítulo 2, que versará sobre as bases legais do Ensino
Fundamental juntamente com os aspectos psicológicos da criança das séries iniciais, a
qual foi a modalidade escolhida para observações e levantamentos de dados, procurando
também conhecer qual é o público das séries iniciais e como ocorre a educação no
processo da formação da criança dessa etapa. E, por fim, Capítulo 3, o qual tratará sobre
a metodologia da pesquisa.
O termo tecnologia diz respeito aos instrumentos criados para facilitar a vida do
homem, de modo que foram criados para resolução de algo, para tornar o trabalho do
homem mais leve, sua locomoção e comunicação mais fáceis, ou melhor, a tecnologia
oportuniza uma vida mais agradável e satisfatória. Esse termo envolve o conhecimento
técnico e científico, no qual a prática resulta em ferramentas tecnológicas, as quais
melhoram a vida humana em uma curta escala de tempo e espaço.
A tecnologia não é uma descoberta do agora, ela existe desde o aparecimento da
espécie humana na terra. O homem sempre precisou se reinventar para sobreviver, por
exemplo, no período da pré-história, que é uma das etapas da evolução do homem, para
conseguir caçar e se proteger, o homem teve que usar técnicas e criar utensílios com os
recursos naturais que possuíam, como a pedra, a madeira, o osso, até chegar ao modo
mais resistente, sofisticado e adequado para viver. Assim mesmo aconteceu com a
leitura e a escrita; o homem necessitou criar outras formas de expressão e comunicação
para passar de um período para o outro da sua existência.
O período que marcou a era tecnológica do homem foi a descoberta do fogo, o
qual resolveu o problema do desperdício de alimentos e de outras coisas que
necessitavam do fogo para se reaproveitar. A partir dessa descoberta foram surgindo
outras como o bronze, o ferro e o aço.
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Concordamos com o autor Pierre Lévy, quando afirma em seu livro Cibercultura
que o homem sempre teve a capacidade de criar e de se adaptar às mudanças, basta
apenas observar a história da humanidade e viajar na linha do tempo até os dias atuais.
Assim iremos perceber que o homem sempre se reinventou e quantas mudanças
ocorreram para ele chegar à era atual. É a mesma coisa se olharmos para a nossa
trajetória de vida, perceberemos que somos agentes de mudanças e sujeitos de criação.
Contudo, tecnologia é o que inventamos para suprir nossa necessidade. Tudo é
tecnologia, desde a faísca do atrito das pedras ao isqueiro, do carvão de lenha ao
combustível, da alavanca ao computador. O conhecimento sempre se expande e o
homem é o principal agente dessas transformações.
Entretanto, tendenciamos a homogeneizar o conceito e a exemplificação de
tecnologia. Pensamos que tecnologia está somente relacionada às grandes e sofisticadas
máquinas, instrumentos com várias funções, sistema digitais e etc. A palavra tecnologia
surge do termo tecno, do grego techné, que é saber fazer, e logia, do grego logus, que
quer dizer razão, estudo. À vista disso, Rodrigues (2001), ressalta que tecnologia
significa a razão do saber fazer. Portanto, há várias ramificações sobre esse termo, por
exemplo, a tecnologia pode se classificar em campos de estudos como ciências
aplicadas, arte e linguagem, engenharias, entre outras. Também está exemplificada em
tecnologia clássica, as quais são agricultura, construção, roda, transportes, fogo, escrita,
etc. Tecnologia avançada, tais como: metalúrgica, raio X, armas nucleares, armas
químicas, armas biológicas, entre outras. Tecnologia elétrica fundamental, por exemplo:
eletricidade, eletrônica, motor elétrico, etc. E por fim, a tecnologia de informação:
satélites, internet, rádio, TV e muitas outras.
Com isso, destacamos como objeto de estudo em questão as chamadas
Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) e sua inclusão no ambiente
educacional. As TIC se caracterizam por agilizar e disseminar a comunicação e a
informação, por meio de instrumentos como o computador, celulares, tablets, tv,
programas, softwares, aplicativos, interfaces, etc.
Assim, para Belloni (2001), as TIC se caracterizam por serem ferramentas que
possibilitam e facilitam a interação, comunicação e informação do homem com os
demais, e ressalta que as TIC são construções e apropriações históricas e culturais.
Trazendo os PCN e o conceito das TIC para esse documento, destacamos:
As Tecnologias de Informação e Comunicação diz respeito aos “recursos
tecnológicos que permitem o trânsito de informações, que podem ser os
diferentes meios eletrônicos, (…). Os meios eletrônicos incluem as
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tecnologias mais tradicionais, como rádio, televisão, gravação de áudio e
vídeo, além de sistemas multimídias, redes telemáticas, robótica e outros”
(BRASIL, 1998, p. 135).
As TIC como produto de criação vão evoluindo conforme o tempo e a partir da
necessidade humana. Por isso chegamos à era denominada como Era Digital, pois as
novas tecnologias possibilitam uma interação através da rede móvel em espaços, tempo
e mobilidade diferentes. Assim, as TIC no processo educacional promovem uma
aprendizagem em curto tempo e espaço e uma relação que não ocorre em tempo real.
Com base nas Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental as
Tecnologias de Informação e Comunicação são instrumentos importantes capazes de
desenvolver habilidades intelectuais e atitudes necessárias para a vida. Em seu artigo 28,
ressalta:
A utilização qualificada das tecnologias e conteúdos de mídias como recurso
aliado ao desenvolvimento do currículo contribui para o importante papel que
tem a escola como ambiente de inclusão digital e da utilização crítica das
tecnologias de Informação e Comunicação, requerendo o aporte dos sistemas
de ensino no que se refere à: I – provisão de recursos midiáticos atualizados e
o número suficiente para o atendimento dos alunos, II – adequada formação
do professor e demais profissionais da escola (p. 136).
Dessa forma, abre-se um grande espaço de reflexão sobre esse fenômeno.
Vejamos: a tecnologia precisa ser vista como um objeto da cultura humana, como
instrumento da atividade humana; o perigo está no que Pinto (2005) denomina de
tecnocentrismo.
Tecnocentrismo é quando idealizamos a tecnologia como fator principal do
estado e do desenvolvimento humano. É centralizar a tecnologia no que ela pode fazer,
supondo que ela irá resolver todas as mazelas da sociedade. Essa exaltação de que a
tecnologia pode fazer tudo, surge de um pensamento acrítico, onde a própria
humanidade se substitui, rendendo-se ao poder tecnológico. Segundo Pinto (2005), o ser
humano, na ideologização da tecnologia, não vê o aparelho na sua real condição de
instrumento que deve ser compreendido no seu papel de transformação da realidade.
Assim, o ser humano, na ideologização, em vez de fazer da máquina um instrumento de
transformação, faz dela um instrumento de adoração.
Isso acontece porque muitos ainda desconhecem o verdadeiro sentido e qual
lugar as tecnologias devem ocupar na sociedade. A sociedade precisa enxergar a
tecnologia com um artefato criado por eles, sendo assim, a tecnologia se põe dentro da
cultura humana e como um fator essencial e não principal da vida do ser humano.
Segundo Warschauer (2006), não existe uma tecnologia “externa” introduzida para
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dentro visando provocar consequências numa sociedade ou nos seus sujeitos, “ao
contrário, a tecnologia encontra-se entrelaçada de maneira complexa nos sistemas e
processos sociais” (p. 23)
Entretanto, é evidente que a tecnologia afeta a sociedade, pois traz consigo
implicações e transformações no modo de viver das pessoas. De acordo com Bunge
(1999 apud PASSERINO, 2010), uma inovação técnica age sobre a sociedade direta ou
indiretamente, mas a intensidade do impacto social depende de vários outros fatores
como originalidade, utilidade, custo, facilidade de uso, capacidade aquisitiva e nível
educacional da população. As inovações tecnológicas podem alterar o modo de vida e
por consequente a cultura de um sistema social.
Nessa linha de pensamento, a vida do homem pode ou não ser regida pelas
tecnologias e a força dela poderá ou não determinar a sua própria sociedade e cultura, a
não ser pelo valor que o próprio homem retribui a ela.
A humanidade precisa compreender que a tecnologia é uma parte da dimensão
da atividade humana, ou seja, o homem não somente faz, mas antes do fazer, o homem
pensa, conhece, age e assim executa, o que o diferencia de outros seres vivos. Klinge
(2000, apud SILVA, 2013), seguindo os mesmos pensamentos de Aristóteles, apresenta-
nos três dimensões da atividade humana, as quais são denominadas: Theoria, relativa ao
conhecer; Prâxis, referente ao agir; Póiesis, mencionada ao fazer. Dessa forma, a
tecnologia está apenas relacionada à Póiesis, portanto, a atividade humana não se
resume apenas no fazer, mas envolve todas as outras dimensões do desenvolvimento
humano. Então, a tecnologia faz parte desse desenvolvimento, mas o principal agente
das transformações é o homem.
Trazendo esses conceitos para o campo pedagógico, o uso das tecnologias da
informação e comunicação na formação da criança de sete anos do Ensino Fundamental
requer reflexões como as anteriores. O modo de utilizar essas ferramentas no ensino nos
remete a pensar o real sentido da tecnologia e de suas implicações na vida dessas
crianças. Tudo isso depende da forma como os professores encaram as tecnologias
digitais e qual valor que depositam nelas.
Atualmente, com a gama digital, os sistemas de ensino aderiram à inclusão
digital com programas governamentais, que estimulam desde cedo a aprendizagem com
o recurso das tecnologias de informação e comunicação, a saber: Banda Larga nas
Escolas, Centro de Inclusão Digital, Programa Estação Digital e o Programa Nacional
de Apoio à Inclusão Digital nas Comunidades, os conhecidos Tele Centros. O objetivo
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dessa Inclusão Digital é promover acesso à internet a todos, chegando até os menos
valorizados, amenizando a desigualdade social.
Assim, o acesso às Tecnologias de Informação e comunicação no processo
educativo não se caracteriza somente por preparar os alunos para o mercado de trabalho
com formação técnica, mas longe disso, a ideia da inclusão digital vai além desse
pensamento capitalista. De acordo com Pretto (2001, apud Batista, 2015), a inclusão
digital e social abordada pelos programas tem que buscar satisfazer as inúmeras
desigualdades do país, ao tratar de questão tecnológica e não criar mais uma
desigualdade.
Em linhas gerais, o fato é que essas tecnologias já se fazem presentes no
cotidiano das crianças, então, o melhor que se pode fazer é aderi-las como um
instrumento de ensino e aprendizagem. Porém, devemos analisar a forma de como as
tecnologias de informação e comunicação estão sendo inseridas dentro do ambiente
educacional.
Por exemplo, a tecnologia deve ser vista como produto do ser humano, portanto,
ela sozinha não terá efeito significativo na aprendizagem. A questão da idealização da
tecnologia, discutido por Vieira Pinto (2005), é justamente esse pensamento de que as
tecnologias educam por si só, o que é uma visão equivocada, pois as tecnologias são
produto da atividade humana, por isso necessitam serem usadas como ferramentas
mediadas pelo professor.
Pocho (2009) contribui afirmando que a inclusão das tecnologias posiciona
basicamente em duas visões, a primeira delas é a visão tecnicista, dando ênfase aos
meios tecnológicos sem questionar suas finalidades. E a segunda, oriunda de um
pensamento mais crítico: “a tecnologia contextualizada com as questões sociais e suas
contradições, visando o desenvolvimento integral do homem e sua inserção crítica no
mundo em que vive, apontando que apenas utilizar tecnologia não basta; é necessário
inovar em termos de prática pedagógica” (p. 14).
Seguindo essa linha de raciocínio, as tecnologias, enquanto instrumento no
processo educativo, devem estar presentes nas escolas, mas não somente presentes. Seu
uso deve garantir possibilidades, capacidades e a expansão de horizontes das crianças
das séries iniciais; sendo assim, os alunos interagem com ela de modo crítico e criativo.
Assim, o conhecimento de como as tecnologias, ou mais precisamente, as
tecnologias de informação e comunicação, contribuem para o processo educativo se dá
pela forma de como elas estão sendo utilizadas na educação.
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Constatar a presença das tecnologias já não é uma tarefa complexa, as
tecnologias digitais estão ganhando espaço no processo educativo, porém apenas usá-las
como recurso educativo não significa dizer que o rendimento escolar vai melhorar. É
claro que as tecnologias são indispensáveis nesse processo, mas o que quero dizer é que
apenas constatar sua presença nas escolas não é o suficiente, a questão é como utilizá-
las, como devemos aderi-las em nosso planejamento.
Utilizar as tecnologias digitais como recurso pedagógico significar pensar como
melhor utilizá-las para efetivar uma aprendizagem significativa e um desenvolvimento
sócio cognitivo em nossas crianças, longe de uma visão tecnicista no qual a tecnologia é
vista como um recurso a mais e determinante nesse processo.
Os usos das tecnologias digitais nas escolas não devem ser vistos como uma
relação linear numa concepção causa-efeito, em que por si produzem conhecimento. As
tecnologias devem ser vistas como uma ferramenta que auxilia no pensar da criança e
que as ações pedagógicas sejam mais intencionais e dialógicas, configurando-se no que
Lévy (1993) aponta como tecnologia intelectual:
a maioria dos programas atuais desempenham um papel de tecnologia
intelectual: eles reorganizam, de uma forma ou de outra, a visão de mundo de
seus usuários de modificam seus reflexos mentais. As redes informáticas
modificam os circuitos de comunicação e de decisão das organizações. Na
medida em que a informatização avança, certas funções são eliminadas,
novas habilidades aparecem, a ecologia cognitiva se transforma […] Cada
nova inovação de informática abriu a possibilidade de novas relações entre
homens e computadores […] eles intervém sobre a comunicação, a percepção
e as estratégias cognitivas de indivíduos e de grupos de trabalho (LÉVY,
1993, p. 54-56).
Essa forma de utilizar as tecnologias digitais surge da concepção interacionista,
a partir da qual o aluno e professor são sujeitos ativos e portadores de conhecimento,
onde todos aprendem com todos. A figura do professor como transmissor e os alunos
como receptores não caberia nesse modelo de aprendizagem.
O modelo tradicional de ensino ainda continua presente em nossas escolas,
refletindo na forma de como utilizar os recursos pedagógicos e isso não se resume
apenas a utilização das tecnologias, mas a todos os instrumentos, a saber: o quadro
branco, os livros didáticos, o giz de cera e etc.
A utilização da tecnologia sem um pensamento crítico leva-nos a cair no
tecnocentrismo, no qual o aluno aprende somente ao manusear a tecnologia, no qual a
tecnologia é detentora de conhecimento vai resolver o baixo índice de desenvolvimento.
Entretanto, para que esse paradigma mude, é necessário que as escolas se reinventem,
percebendo que as maiores propiciadoras de conhecimento são as relações sociais, a
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cultura que perpassa de um ser para o outro. E esses conhecimentos são passados pelos
próprios indivíduos numa relação de troca.
Dessa forma, toda e qualquer ferramenta utilizada no ambiente educacional deve
ser vista como instrumento estruturante do pensamento. Nesse sentido, as tecnologias
tornam-se signos no contexto Vygotskyano, já que permitem estruturar e organizar a
ação humana, também faz projetar, representar e compartilhar essas representações
socialmente. Por isso, o uso das tecnologias não deve ser isolado da cultura e contexto
do aprendiz.
Nesse contexto, aprender com a tecnologia traz o real significado da utilização
dessas ferramentas, visto que descentraliza a ação das tecnologias e centraliza as ações
do homem. A tecnologia, assim, é vista como objeto de conhecimento, como
instrumento de pensamento, como parte da cultura humana, como atividade humana e
essa forma de utilização não se torna isolada, mas coletiva com a construção do
conhecimento por meio da interação entre os pares num processo ativo e mediado.
Mercado (2002) contribui dizendo que os recursos tecnológicos são como pontes
para o conhecimento, tornando um novo meio de cooperação e de interação. A escola é
rica em espaços de interação, assim, a inserção das tecnologias na educação irá
consolidar o que já é função da escola, abrindo caminhos para novas capacidades,
formando cidadãos pensantes, aptos a agir de forma crítica e reflexiva, criando o novo a
partir do que já é conhecido, inovando, adaptando-se e tendo sua autonomia.
Com o advento das novas tecnologias digitais e do sistema de disseminação da
informação, nossas escolas vêm exigindo mais, pois a educação deve acompanhar o
ritmo das inovações sociais, deixando seu caráter de transferência de conhecimento e
informação, adequando-se a essa inovação constante.
A educação vem sofrendo fortes intervenções com a implementação das novas
tecnologias na Educação, como o uso de computadores que dependendo de como ele é
utilizado, serve para atividades de administração, ensino e pesquisa. Podendo fazer
simulações, concretizar experiências, acessar e armazenar informações, entre outras
funções.
O uso de internet intervém por meio do acesso rápido as informações, por meio
do qual alunos e professores têm acesso a novas culturas, realidades, em todo mundo,
ampliando seus conhecimentos.
O uso de tablets, uma ferramenta de fácil transporte, com uma característica
mais pessoal, no qual o seu usuário pode acessar a internet, visualizar fotos, vídeos,
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leitura de livros, jornais e revistas e para entretenimento com jogos, facilita a vida do
aluno e do professor na busca de informações.
Os jogos educacionais, por meio de aplicativos e softwares, vêm trazendo
grandes inovações no processo educativo, pois essa realidade está muito próxima a do
aluno. É uma forma lúdica, que facilita a aprendizagem do aluno.
Dados esses exemplos, o motivo da exigência de uma educação de qualidade
com a utilização das tecnologias está nas inovações curriculares e didáticas, pois a
utilização das tecnologias na educação vinculam os conteúdos escolares com o contexto
cultural fora do âmbito escolar. Por isso a educação vem sendo desafiada a preparar
seus alunos para viver e trabalhar em sociedade. Nesse contexto, os sistemas de ensino
necessitam rever seus valores e objetivos para a melhoria dessa educação,
principalmente na formação de professores atuante, sendo essa a categoria chave para o
processo de ensino e aprendizagem e da construção de conhecimentos por meio das
ferramentas disponibilizadas.
As tecnologias digitais, como já discutimos, são essas ferramentas que chegam
às mãos do professor e principalmente às mãos do aluno, dessa forma, é necessário que
o professor se sinta confiante e preparado para utilizá-las de maneira adequada. Sousa
(2001) destaca que é “essencial que o professor se aproprie dessa gama de saberes
advindo com a presença das tecnologias digitais da informação e da comunicação para
que estas possam ser sistematizadas em sua prática pedagógica” (p.20).
Contudo, afirmo que as tecnologias são ferramentas essenciais no processo
educativo, oferecendo uma dinâmica que estimula o aluno a conhecer mais, com a ajuda
fundamental do professor. O salto qualitativo que a educação pode dar depende de como
essas ferramentas serão utilizadas, por isso, o papel fundamental é de quem está
coordenando, neste caso, o professor.
Pode-se encontrar ainda muitas resistências e barreias para a inclusão das
tecnologias na educação, mas recoloco novamente que a tecnologia, como instrumento
de ensino e aprendizagem, não possui um papel de substituição e nem tampouco de
detentora do conhecimento, mas cabe ao professor mediar a aprendizagem por meio das
tecnologias numa perspectiva sócio interacionista.
Aliar as tecnologias digitais a bons professores é qualidade para o ensino. Sendo
assim, “tecnologia é apoio e não substituta da ação”, referindo-se à Associação
Brasileira de Tecnologia Educacional (ABT).
A DIDÁTICA E O USO DAS TECNOLOGIAS NAS SÉRIES INICIAIS
Para iniciarmos, a didática, segundo Libâneo (1994), é o principal ramo da
pedagogia para poder estudar melhor os modos e condições de realizarmos o ensino e
instrução, em outras palavras, a didática é o fazer pedagógico na escola, e esta, por sua
vez, é o espaço social que tem a função de promover a aprendizagem.
A aprendizagem é o ato de aprender. Pedagogicamente a aprendizagem é dada
de forma intencional, discorrendo sobre o que oferecer, como oferecer e de que forma
será feita a mediação para que essa aprendizagem seja, de fato, efetiva.
Para que isso aconteça é extremamente necessário um planejamento de como as
ações pedagógicas serão desdobradas para alcançar tal objetivo, o qual é fazer com que
os alunos consolidem o que lhes foi ensinado. Não somente isso, mas que essa
aprendizagem oportunize a eles caminhos da autonomia e da liberdade.
Frente a isso, é proveniente dissertar sobre o professor como agente promissor
da aprendizagem, uma vez que é a partir de seu papel que as aulas são planejadas e
direcionadas, cabendo a ele a total responsabilidade de suas práticas. E diante da Era
Digital, novos paradigmas surgem na educação, refletindo-se nas ações do professor.
É necessário que o professor adentre nesse contexto de mudanças, intermediando
e incentivando o uso das tecnologias digitais na educação, já que assim como são
utilizados os livros didáticos e o quadro branco, as tecnologias de informação e
comunicação devem adentrar em seu planejamento de aula.
Porém, como já expomos, essa utilização deve acontecer após uma reflexão
sobre como utilizá-las para que não recaia no modelo de ensino sustentada apenas na
instrução que o professor passa para o aluno, mas que a partir de uma concepção de
aprendizagem baseada na interação, mediação e no estabelecimento de trocas, o aluno
juntamente com o professor construa o conhecimento.
De acordo com Mercado (2002), a figura do professor se baseia em facilitar,
guiar, orientar, selecionar e contextualizar o conhecimento, sendo a pessoa que dá
sentido ao mar de informações que o aluno obtêm. Por isso, nada substitui o professor
dentro da sala, nem mesmo os mais sofisticados instrumentos de aprendizagem; o bom
professor é capaz de adaptar tais instrumentos como formas de melhorias para educação
e para o processo cognitivo das crianças.
Papert (1986) foi um dos pioneiros que defendia a utilização das tecnologias
como instrumentos de aprendizagem, reconhecendo o quão importante é o auxilio das
tecnologias na aprendizagem, capaz de transformar a forma de ensino. Sua proposta de
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desenvolvimento da linguagem de programação voltada para as crianças rompeu com as
concepções antigas de ensino a qual via os computadores como máquinas de ensinar,
tirando, assim, o foco do processo construtivista sócio interacionista, por essa razão,
seus estudos foram baseados em Jean Piaget.
O modo de ensino pelas tecnologias educacionais, na visão do autor, coloca a
criança como agente ativo e não somente capaz de responder a estímulos externos e de
se apropriar deles construindo seu próprio conhecimento.
Dessa forma, a presença das tecnologias nas ações do professor proporciona ao
aprendiz novas formas de buscar e sistematizar informações, novas maneiras de integrar
as disciplinas e conteúdos. Assim a escola se tornaria um espaço mais didático e
interessante, trazendo aos alunos novas formas de ensinar e aprender. Mas, para isso, é
essencial que o professor atue como mediador, oferecendo à criança a interação com o
objeto físico, no caso a máquina tecnológica, intermediando o processo da coleta de
informações, a pesquisa, o conhecimento, etc.
Essa perspectiva de trabalho frente às novas tecnologias, baseia-se nos
pensamentos de Vygotsky (1998), que coloca o professor como mediador do processo
educativo, propondo possibilidades de interação ao educando, promovendo uma
aprendizagem mais significativa.
Entretanto, sabemos que existem lacunas na preparação desse profissional,
devido as exigências do processo educativo, ou até mesmo de adequação do professor
ao uso das tecnologias digitais. A tentativa de incluir as novas tecnologias em um
currículo e em suas práticas esbarra em obstáculos, a saber:
(…) a formação de professores para usar adequadamente as tecnologias,
dificuldades nos investimentos exigidos para a aquisição de equipamentos, e
na falta de professores capazes de superar preconceitos e práticas que
rejeitam a tecnologia mantendo uma formação em que predomina a
reprodução de modelos substituíveis por outros mais adequados à
problemática educacional (MERCADO, 2002, p. 13 e 14).
O professor, para fazer parte dessa transformação social, precisa se atualizar,
procurar se inteirar do assunto; é necessário se capacitar mais, procurar cursos de
formação continuada que aborde o tema das tecnologias na educação e como utilizá-las.
Mas, para isso, além da força de vontade do professor, é evidente que parcerias sejam
feitas com programas de investimento e incentivo à formação do professor e que as
politicas públicas almejem uma educação contextualizada e de qualidade.
Entretanto, segundo Cysneiros (2000):
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O ideal é que o professor aprenda a lidar com s tecnologias da informação
durante sua formação regular, em disciplinas mais ou menos com os nomes
de “tecnologia educacional” ou “tecnologia da informação na educação” e de
modo mais detalhado nas didáticas dos conteúdos específicos. Algumas
faculdades já oferecem tais disciplinas, porém ainda demorará alguns anos
para que haja uma atualização das didáticas, adequando-as à tecnologia que o
professor irá encontrar nas escolas (p. 7).
É importante destacar que o professor é capaz de se recriar, de se remodelar, já
que vivemos em uma sociedade diversificada, com alunos com diferentes contextos,
com a cultura cada vez mais se modificando através das ações do homem. A única
forma de atender todas essas demandas da sociedade é adequando o currículo a elas.
Em sua didática, o professor necessita estimular seus alunos à pesquisa, à
exploração, à descoberta, sendo o professor a figura mais importante nesse processo,
aprendendo junto com o aluno. Para que isso aconteça, é preciso incorporar várias
ferramentas didáticas em suas metodologias e principalmente aquelas que já se
encontram em contato com os alunos: as tecnologias digitais de informação e
comunicação.
Novamente Mercado (2002) destaca que na formação do professor, é necessária
a utilização de metodologias voltadas às tecnologias:
Conhecimentos das novas tecnologias e da maneira de aplicá-las; estimulo à
pesquisa com base na construção do conteúdo a ser vinculado através do
computador, no que se trabalhe o saber pesquisar e transmita o gosto à
investigação a alunos de todos os níveis; capacidade provocar hipóteses e
deduções que possam servir de base a construção do conhecimento e
compreensão de conceitos; habilidade de permitir que o aluno justifique as
hipóteses que construiu e a discuta; e entre outras (p. 14).
Mediante a isso, cabe ao professor ultrapassar uma forma tradicional de ensino,
e não somente o professor, mas a educação como um todo precisa sinalizar para uma
organização curricular que ofereça condições reais para o trabalho do professor,
permitindo a ele habilidades e técnicas frente ao contexto das tecnologias digitais na
educação.
Assim, cabe ao professor ser comprometido com uma educação de qualidade,
que vise às potencialidades dos recursos tecnológicos, suas limitações e como fazer para
contribuir com a aprendizagem, selecionando conteúdos, bem como a melhor forma de
utilização das tecnologias.
Dessa forma, a inclusão das tecnologias digitais na didática de ensino tem um
impacto significativo no papel do professor e na formação do aluno. A utilização da
tecnologia na educação estimula a busca, promove habilidades sociais, diálogos
diferentes, socialização, autonomia e criatividade das crianças.
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Com o uso dos recursos tecnológicos, surgem novos espaços de aprendizagem e
comunicação, novos compartilhamentos em curto prazo de tempo. As tecnologias na
prática pedagógica facilitam o trabalho do professor na apresentação de algum
conteúdo, na forma disseminar a informação e na socialização dos resultados
alcançados, facilitando a aprendizagem individual e coletiva.
Essa visão permite que o professor enxergue as tecnologias como uma
importante aliada em seu trabalho e o quão ela pode ser útil para ele. A forma como
seus alunos vão encarar as tecnologias na educação depende muito da forma de como o
professor a enxerga e a utiliza, daí a importância de um pensamento crítico e reflexivo
ao uso dessa poderosa ferramenta.
O uso das tecnologias nas séries iniciais requer, como já mencionado, um
currículo organizado que atenda as demandas da sociedade, na qual o aluno está
inserido, requer para formação do professor na utilização dessas ferramentas, pois não é
apenas usar o computador ou qualquer outro equipamento sem antes ter planejamento o
que quer alcançar e quais habilidades deseja promover aos alunos.
Pensar em um currículo ou planejar nossas aulas em função da criança é
reconhecer suas especificidades e entender que a criança necessita de meios que
facilitem a sua aprendizagem. A etapa da infância é uma etapa de descobertas, de
fascínio, de busca, de perguntas, de contato. A criança por meio do brincar, do
socializar e do interagir, aprende.
Sendo assim, a utilização das tecnologias nas séries iniciais requer exercício de
respeito às etapas de desenvolvimento da infância, então, selecionar softwares educativo
somente porque é bonito e colorido não significa dizer que é acessível à criança e deve
fazer parte do planejamento do professor. Antes disso, o professor deve atentar para o
estado emocional e cognitivo em que seus alunos se encontram. Segundo Piaget (1973)
toda criança tem um processo de desenvolvimento para a sua maturidade e deve ser
respeitado.
Constatar a presença das tecnologias na vida das crianças é uma tarefa óbvia,
elas têm grande fascínio por esses equipamentos. De acordo com Oliveira (2012), a
criança passa a brincar com os equipamentos tecnológicos naturalmente, sendo assim,
passa a conviver desde muito cedo com essas ferramentas de registros, organização,
expressão e comunicação através da sua cultura e por meio das atividades que seus pais
e familiares executam dentro ou fora de casa.
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A chave de utilizarmos essa convivência das crianças com a tecnologia dentro
das escolas é justamente atentarmos para o que queremos oferecer. As tecnologias
precisam estar coerentes com as propostas e com as habilidades e competências que
queremos construir com a criança.
É importante que a criança consiga interagir ativamente com as ferramentas
tecnológicas, podendo manipulá-las, explorá-las e brincar com elas, por isso que
Mercado (2002) afirma que os bons softwares educacionais não devem ser cheios de
recursos técnicos, mas devem permitir a rápida interação do aluno, de modo que o aluno
desenvolva sua criatividade.
Há existência de diversos meios tecnológicos que podem ser utilizados nas séries
iniciais, como jogos digitais, softwares, ambientes virtuais de coleta e compartilhamento
de informações, tablets, computadores, aplicativos e diversos outros. Por exemplo, os
softwares educativos são uma ferramenta criada especialmente para o processo de
ensino e aprendizagem.
Entretanto, uma boa utilização das tecnologias digitais depende muito do
planejamento do professor, não basta apenas colocar um jogo na tela do computador
para as crianças jogarem e dizer que aquela aprendizagem está sendo significativa.
Mercado (2002) diz que a interação do educando com o computador não deve ser
somente através de respostas óbvias, pelo contrário, os alunos devem agir de maneira
reflexiva a partir do que é proposto e assim construir hipóteses com a mediação do
professor.
Jogar por jogar, ler por ler, acessar por acessar não oportuniza a construção de
conhecimentos, mas apenas cumpre diário, tempo e uma sequência, recaindo ao modelo
tradicionalista de ensino.
O professor deve saber orientar atividades, selecionar o que será abordado, quais
recursos facilitariam essa aprendizagem, sejam eles: o computador, o tablet, o acesso a
internet, avaliando sempre a possibilidade de utilizá-los pedagogicamente e se atendem
aos objetivos que queira alcançar. Desta feita, qualquer ferramenta deve promover
espaços para que o aluno pense e tente resolver o que é proposto.
Contudo, Mercado (2002) ressalta que as melhores ferramentas tecnológicas, ou
programas computacionais, são aquelas em que o aluno usa seu raciocínio, buscando
soluções para resolver os desafios, por causa disso, defende as tecnologias educacionais
devem ter uma arquitetura aberta e não pronta, a qual permita ao educando um processo
ativo de evolução.
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No geral, as Tecnologias digitais devem ser encaradas como um tema
transversal, o qual perpassa por toda espécie de conhecimento, auxiliando em todas as
disciplinas curriculares. Com a pluralidade de conhecimentos, esse incentivo que a
tecnologia traz à criança faz com que ela desfrute do conhecimento no presente e que
sirva para o futuro.
Com esses suportes e de informação e comunicação emergem-se gêneros de
conhecimentos inusitados e critérios de avaliação inéditos no processo de ensino e
aprendizagem; dessa forma, qualquer política de educação deve levar essas questões em
conta.
Presentes nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), destacando o estudo
das ciências naturais, matemáticas e suas tecnologias, é imprescindível que o
aprendizado envolva o desenvolvimento de conhecimentos práticos, contextualizados,
os quais respondam às necessidades reais do aluno, ou seja, além do aprofundamento
das disciplinas correspondentes é necessário que haja uma articulação entre os
procedimentos científicos com os demais saberes, dentre as quais destacam-se os
conteúdos tecnológicos e práticos, junto a cada disciplina de forma integradora.
Então, a aula não se resumiria apenas em materiais instrucional, tampouco em
um discurso professoral centralizando apenas o professor como protagonista do
processo de ensino e aprendizagem, mas sim em uma aula ativa e participativa numa
prática de elaboração cultural.
No entanto, é exigida uma atualização de conteúdos mais ágeis e direcionados a
realidade do aluno. Para isso, a mobilização de todos os profissionais da educação,
incluindo a comunidade, é imprescindível para a efetivação da educação pretendida, por
isso, a transformação deve atingir os pilares políticos para que haja uma construção
coletiva de aprendizagem do aluno e o aperfeiçoamento do professor.
Como citar este texto (NBR 6023:2018 ABNT)
SILVA, Renata T. Ramalho da (ORCID 0009-0008-7564-3074) . Educação e Tecnologia: O desafio da formação da Criança das séries iniciais na era digital. Disponível em: https://revistadifatto.com.br/artigos/educacao-e-tecnologia-o-desafio-da-formacao-da-crianca-das-series-iniciais-na-era-digital/. Acesso em: 01/02/2026.
