Saneamento básico e doenças de transmissão fecal-oral no Brasil.

Categoria: Ciências da Saúde Subcategoria: Enfermagem

Este artigo foi disponibilizado diretamente pelo autor e ainda não passou por revisão editorial.

Submissão: 02/06/2026

Autores

Pedro Guilherme da Costa Silva

Curriculo do autor: Acadêmico de Enfermagem

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Resumo

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o saneamento é reconhecido como um direito humano básico, e consiste no controle de todos os fatores do meio físico do homem, que exercem efeito deletério sobre seu bem-estar físico, mental ou social. As doenças de transmissão oral-fecal são infecções causadas por microrganismos que se disseminam principalmente pela ingestão de água ou alimentos contaminados por fezes humanas ou animais. Analisar e discutir a relação entre saneamento básico e a ocorrência de doenças entéricas, identificando a influência da infraestrutura sanitária na saúde pública. Foi realizado uma revisão bibliográfica sistemática integrativa em fontes como o Google Acadêmico e SciElo, abrangendo publicações entre 2021 e 2026. Foram utilizados os descritores: “saneamento básico”, “doenças entéricas”, “saúde pública” e “doenças de veiculação hídrica”. Os critérios de inclusão selecionaram artigos publicados entre os anos de 2021 e 2026; publicações em português, artigos legíveis, bases de dados autênticas, bibliografias relacionadas ao tema. Os resultados apontam que a principal relação entre saneamento básico e a incidência de doenças entéricas se dá pela precariedade dos serviços e da fiscalização de sanitária em comunidades de baixa renda e de estado de vulnerabilidade. Conclui-se que, é indispensável a ampliação dos investimentos em infraestrutura sanitária, bem como o fortalecimento das políticas públicas voltadas à universalização dos serviços de saneamento. Paralelamente, ações de educação em saúde devem ser incentivadas para promover hábitos de hi

Palavras-Chave

saneamento básico; saúde pública; doenças entéricas; transmissão oral-fecal.

Abstract

According to the World Health Organization (WHO), sanitation is recognized as a basic human right and consists of the control of all physical environmental factors that have a deleterious effect on human physical, mental, and social well-being. Fecal-oral transmitted diseases are infections caused by microorganisms that primarily spread through the ingestion of water or food contaminated with human or animal feces. This study aimed to analyze and discuss the relationship between basic sanitation and the occurrence of enteric diseases, identifying the influence of sanitary infrastructure on public health. A systematic integrative literature review was conducted using sources such as Google Scholar and SciELO, covering publications from 2021 to 2026. The following descriptors were used: “basic sanitation,” “enteric diseases,” “public health,” and “waterborne diseases.” Inclusion criteria encompassed articles published between 2021 and 2026, publications in Portuguese, readable articles, authentic databases, and bibliographies related to the topic. The results indicate that the main relationship between basic sanitation and the incidence of enteric diseases is associated with the inadequacy of sanitation services and insufficient sanitary oversight in low-income and vulnerable communities. It is concluded that it is essential to increase investments in sanitary infrastructure and to strengthen public policies aimed at the universalization of sanitation services. Additionally, health education initiatives should be encouraged to promote hygiene habits and raise public awareness

Keywords

Keywords: basic sanitation; public health; enteric diseases; fecal-oral transmission.

1.    INTRODUÇÃO

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o saneamento é reconhecido como um direito humano básico, e consiste no gerenciamento ou controle de todos os fatores do meio físico do homem, que exercem ou podem exercer efeito deletério sobre seu bem-estar físico, mental ou social. Em conjunto com ações socioeconômicas, tem objetivo de englobar a salubridade ambiental e prevenir a ocorrência de epidemias e endemias, promovendo condições favoráveis à promoção de saúde e bem-estar (WILLIANS et al., 2025).  

      Mundialmente, estima-se que mais de 700 milhões de pessoas não tenham acesso a água potável e que três bilhões não tenham acesso a saneamento melhorado. Fuentes et al. (2006) defendem que a água contaminada é responsável por inúmeras doenças de veiculação hídrica. Todos os anos, cerca de 1,8 milhão de crianças morrem em decorrência de diarreia ou outras doenças provocadas por água inadequada para o consumo humano e por más condições de saneamento, correspondendo a aproximadamente 4.900 mortes por dia no planeta. (WILLIANS et al., 2025).

      As doenças de transmissão oral-fecal são infecções causadas por microrganismos, como bactérias, vírus e parasitas, que se disseminam principalmente pela ingestão de água ou alimentos contaminados por fezes humanas ou animais. Esse tipo de transmissão está frequentemente associado à falta de saneamento básico, higiene inadequada e condições precárias de armazenamento e preparo dos alimentos. Entre as doenças mais comuns relacionadas a essa via estão a cólera, a hepatite A, a febre tifoide e diversas gastroenterites.

      Nesse contexto, evidencia-se que condições precárias de saneamento básico no Brasil, como esgoto a céu aberto, água sem tratamento, descarte inadequado de resíduos fecais e a ausência da lavagem adequada das mãos, acarretam a transmissão dessas doenças entéricas.

      Sendo assim, o cenário atual do país relacionada ao saneamento básico a doenças entéricas merecem destaque, uma vez que há índices de agravo nos números de pacientes sintomáticos, que levam a danos à comunidade local e a economia do país.

      Diante disso, este estudo tem cargo de analisar os impasses que impossibilitam a evolução do quadro de saúde pública do Brasil, por meio da apresentação de fatores de incidência e de métodos interventivos.

2.    OBJETIVOS

2.1 Objetivo geral:

Analisar e discutir a relação entre saneamento básico e a ocorrência de doenças entéricas, identificando a influência da infraestrutura sanitária na saúde pública.

2.3 Objetivos específicos

·         Analisar a relação entre a falta de saneamento básico e a incidência de doenças de transmissão fecal-oral no Brasil.

·         Identificar os principais fatores que contribuem para a disseminação de doenças fecal-orais em áreas com condições inadequadas de saneamento.

·         Avaliar a importância das medidas de saneamento básico e educação em saúde na prevenção das doenças de transmissão fecal-oral na população brasileira.

·         Propor estratégias de conscientização e políticas públicas voltadas para a ampliação do acesso ao saneamento básico e redução das doenças entéricas no Brasil.

3.    METODOLOGIA:

Este estudo caracteriza-se como uma revisão bibliográfica sistemática integrativa, com o propósito de analisar, discutir e apresentar as informações disponíveis sobre a evidência de doenças entéricas causadas por uma higiene pública precária e os princípios que causam o aumento de pessoas infectadas, que promovem uma saúde pública ineficaz.

Sendo assim, a busca foi realizada nas bases de dados eletrônicos Google Acadêmico e SciELO, no período de abril e maio de 2026, utilizando-se dos descritores: “saneamento básico”, “doenças entéricas”, “saúde pública” e “doenças de veiculação hídrica”.

E teve-se por critério de inclusão: artigos publicados entre os anos de 2021 e 2026; publicações em português; artigos legíveis; bases de dados autênticas; bibliografias relacionadas ao tema. Como critério de exclusão: artigos com temas opostos; publicações inferiores a 2021; publicações não disponíveis em sites eletrônicos.

4.    RESULTADOS E DISCURSSÕES

A partir da leitura completa dos artigos selecionados, analisando seus objetivos e resultados, foi possível observar que a principal relação entre saneamento básico e a incidência de doenças entéricas se dá pela precariedade dos serviços e da fiscalização de sanitária em comunidades de baixa renda e de estado de vulnerabilidade.

Além disso, estudos evidenciaram que não há investimento governamental eficaz para a minimização dessas doenças, que ainda é uma problemática agravante no cenário contemporâneo.

4.1. Manejo de resíduos sólidos

Resíduos sólidos, segundo a Política Nacional de Resíduos (Lei 12.305/2010), são definidos como sendo todo material, substância, objeto ou bem descartado resultante de atividades humanas em sociedade. Estes podem se encontrar nos estados sólidos ou semissólido, bem como gases contidos em recipientes e líquidos cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou em corpos d`água (VITOR et.al., 2021).

Ainda de acordo com a Vitor et al., (2021), nos últimos anos ocorreu um grande aumento nos índices de geração de resíduos sólidos urbanos devido, principalmente, à ascensão da renda da população e ao aumento de produção e consumo vigentes. Esse aumento substancial torna-se um entrave para os gestores municipais no tocante a oferta dos serviços de coleta, transporte e disposição final desses materiais. A baixa efetividade desse serviço acarreta danos visuais à cidade, agravando o problema de poluição ambiental, bem como compromete a qualidade de vida e a saúde dos moradores.

Entre as doenças relacionadas ao saneamento inadequado também estão incluídas aquelas associadas com os resíduos sólidos.  Os locais em que ocorre a disposição inadequada desses resíduos atraem animais, além de poluir as águas superficiais e subterrâneas, o solo e o ar. A conservação da limpeza dos ambientes evita, portanto, acúmulo de resíduos e, consequentemente, os impactos negativos sobre as condições sanitárias vigentes.

4.2. Esgoto e Abastecimento de água

Em 2019 foi publicada a vigésima quinta edição do Diagnóstico dos Serviços de Água e Esgotos do SNIS que foi elaborado com base nas informações fornecidas por companhias estaduais, empresas e autarquias municipais, empresas privadas e, em muitos casos, pelo as próprias prefeituras, todos denominados no SNIS como prestadores de serviços. Os dados do SNIS, com relação a abastecimento de água, apontam que 98,15% da população urbana brasileira reside em municípios que possuem sistema público, enquanto apenas 0,03% residem em municípios que possuem somente soluções alternativas individuais ou coletivas de água (poço ou nascente, chafariz, carro-pipa, dentre outras).  Além disso, ressalta-se que outros 1,82% residem em municípios que não responderam ao SNIS em 2019. Os consumos variam regionalmente de 120,6 l/hab/dia no Nordeste (menor índice) a 177,4 l/hab/dia no Sudeste (maior índice) (l, 2021).

     Com relação ao esgotamento sanitário, 85,58% da população urbana brasileira reside em municípios que possuem sistema público de esgotos, enquanto 7,40% residem em municípios que não possuem sistema público e utilizam sistemas alternativos (fossa séptica, fossa rudimentar, vala a céu aberto, lançamento em cursos d’água, dentre outras). Ressalta-Se, ainda, que outros 7,02% residem em municípios que não responderam ao SNIS no ano de 2019.  De acordo com os dados obtidos o SNIS aponta que o esgotamento sanitário ainda tem muito a evoluir quando comparada com o abastecimento de água.  Ao se fazer uma análise dos resultados segundo macrorregião geográfica do Brasil, observa-se que, em 2019, a macrorregião Nordeste apresentou o menor valor (9,0 m/ligação) de extensão da rede de esgoto por ligação (Brasil, 2021).

     Assim, se torna evidente que as condições inadequadas de esgoto e de abastecimento de água tratada contribuem para o aumento das doenças de entéricas no Brasil.   

     Para maior compreensão do tema explicitado, faz se necessário a listagem das principais doenças entéricas que se apresentam em incidência no Brasil, por fatores recorridos da manutenção incorreta da sanidade pública.

      As doenças de veiculação a hídrica são uma grande preocupação no mundo e especialmente no Brasil, pois tem sua disseminação facilitada pelo clima tropical e não tem políticas de controle com eficácia suficiente, assim como em outros países subdesenvolvidos e emergentes, motivo pelo qual apresenta alta prevalência e morbimortalidade (7,8). As doenças de veiculação hídrica mais prevalentes são: doença diarreica aguda, cólera, shigelose, febre tifoide e hepatite A e E, além de poluentes e produtos químicos que são descartados indevidamente nas águas.

4.3. Doença Diarreica Aguda, Cólera

A doença diarreica aguda é um dos maiores motivos de mortalidade infantil no mundo, causando 8% de todas as mortes abaixo de 5 anos de idade, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Essa doença e a cólera podem ser endêmicas pela transmissão constante. A maior forma de transmissão dos patógenos que causam a doença é de forma fecal-oral, especialmente através de água que não tratada corretamente, alimentos contaminados e falta de higiene das mãos (CORREIA et al., 2021).

4.4. Febre tifóide

      A Febre Tifoide é uma infecção causada pela bactéria Salmonella typhi, que tem como principais manifestações clínicas febre alta, diarreia, dor abdominal e cefaleia. A principal fonte de transmissão são as fezes e urina de indivíduos portadores da doença, quando entram em contato especialmente com a água de lagos, rios ou outras fontes, o que faz com a contaminação ocorra geralmente através do contato com água e alimentos contaminados, e é associada à má higiene. Por isso, também é uma patologia associada a países subdesenvolvidos e com más condições de saneamento básico (CORREIA et al., 2021).

4.5. Hepatite A e E

      A Hepatite A e E são viroses muito prevalentes em todo o mundo, porém afetam especialmente países com poucos recursos financeiros, pois de acordo com a OMS, em países com saneamento básico ineficiente e pouco acesso à higiene, 90% das crianças são contaminadas com algum desses vírus antes dos 10 anos de idade, e cerca de 20 milhões de pessoas no mundo são infectadas com o vírus da hepatite E todos os anos (CORREIA et al., 2021).

 Essas patologias acometem o fígado e em diversos casos podem gerar doença severa e até mesmo a morte. Sua transmissão ocorre principalmente pela via fecal-oral através do contato com água ou alimento contaminado com seus agentes causadores, o que faz com que possam ter sua incidência reduzida através de um controle adequado destes fatores.

A hepatite A e E podem ser prevenidas através de saneamento básico adequado, acesso à água potável, educação sobre higiene especialmente das mãos e alimentos, e vacinação.

5.    CONSIDERAÇÕES FINAIS

Conclui-se que o saneamento básico constitui um dos principais determinantes da saúde pública e possui papel essencial na prevenção das doenças de transmissão fecal-oral no Brasil. A falta de acesso à água tratada, ao esgotamento sanitário adequado e à coleta eficiente de resíduos contribui significativamente para a disseminação de enfermidades que afetam milhares de brasileiros todos os anos.

Dessa forma, torna-se indispensável a ampliação dos investimentos em infraestrutura sanitária, bem como o fortalecimento das políticas públicas voltadas à universalização dos serviços de saneamento. Paralelamente, ações de educação em saúde devem ser incentivadas para promover hábitos de higiene e conscientização da população. Somente por meio da interação entre o governo, profissionais de saúde e a sociedade será possível reduzir os impactos dessas doenças e melhorar a  qualidade de vida da população brasileira.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CRUZ, Wilians Montefusco da et al. SANEAMENTO BÁSICO INADEQUADO E CONDIÇÕES DE SAÚDE RELACIONADAS: UMA REVISÃO INTEGRATIVA. Physis (Rio De Janeiro, Brasil), v. 2, 2025.

CORREIA, Catherine Veloso et al. DOENÇAS DE VEICULAÇÃO HÍDRICA E SEU GRANDE IMPACTO NO BRASIL: CONSEQUÊNCIA DE ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS OU INEFICIÊNCIA DE POLÍTICAS PÚBLICAS?. Brazilian medical Students, (São Paulo, Brasil), v. 5, n. 8, 2021.

ARAÙJO, Elizandra Perez et al. INDICADORES DE ABASTECIMENTO DE ÀGUA E DOENÇAS DE TRANSMISSÂO HÌDRICA EM MUNICÌPIOS DA AMAZÔNIA ORIENTAL. Engenharia sanitária e ambiental, (Macapá, Amapá), v. 26, n. 6, p. 1059-1068, 2021.

VITOR, Gabriel Alves et al. SAÚDE E SANEAMENTO NO BRASIL: UMA REVISÃO NARRATIVA SOBRE A ASSOCIAÇÃO ENTRE CONDIÇÕES BÁSICAS DE SANEAMENTO E DOENÇAS TRANSMITIDAS PELA ÁGUA. Pesquisa, Sociedade e Desenvolvimento, (Vargem Grande Paulista, São Paulo), v. 10, n. 15, p. e521101522913, 2021.

Como citar este texto (NBR 6023:2018 ABNT)

SILVA, Pedro G. da C.. Saneamento básico e doenças de transmissão fecal-oral no Brasil.. Disponível em: https://revistadifatto.com.br/artigos/saneamento-basico-e-doencas-de-transmissao-fecal-oral-no-brasil/. Acesso em: 03/06/2026.