Implicações da Modernidade Líquida na construção social do idoso
Autores
Resumo
Segundo Bauman, vivemos uma fase da história que se caracteriza pelo derretimento dos sólidos estruturais da sociedade, isto é, uma época em que nem narrativas universalizantes nem estruturas tradicionais são privilegiadas nas sociedades ocidentalizadas, gerando uma fluidez dinâmica e sem controle. À parte a propriedade do termo, fato é que o avanço tecnológico, medicinal e espacial, nos trouxeram mudanças no pensamento social em dimensões jamais notadas. Diante do pressuposto baumaniano, este artigo reflete acerca das implicações do momento histórico na construção social das pessoas idosas e discute a necessidade de novos modos-de-ser desta população. A metodologia consta de uma revisão bibliográfica do muito que já foi escrito acerca do envelhecimento, mediada pela perspectiva psicossocial de seus autores. O artigo pretende contribuir para a compreensão de que não é mais possível permanecermos no paradigma que fazia elogios ao envelhecimento nem nos determinismos que invisibilizam a criativa construção identitária do idoso.
Palavras-ChaveConstrução de identidade, Envelhescência, Idoso, Modernidade Líquida
Abstract
According to Bauman, we are living in a phase of history characterized by the melting of the structural solids of society, that is, a time in which neither universalizing narratives nor traditional structures are privileged in Westernized societies, generating a dynamic and uncontrolled fluidity. Apart from the appropriateness of the term, the fact is that, the technological, medical and spatial advances, brought us changes in social thought on dimensions never before noticed. In light of Bauman's premise, this article reflects on the implications of the historical moment in the social construction of elderly people and discusses the need for new ways of being for this population. The methodology consists of a bibliographic review of much that has already been written about aging, mediated by the psychosocial perspective of its authors. The article aims to contribute to the understanding that it is no longer possible to remain in the paradigm that praised aging nor in the determinisms that make the creative identity construction of the elderly invisible.
KeywordsAging. Elderly. Identity construction. Liquid Modernity.
O mundo contemporâneo nos instiga e nos deixa maravilhados com todas as possibilidades de praticidade e de conforto. O constante rompimento de barreiras culturais e geográficas, a assincronicidade que traz outro sentido para o tempo e, principalmente, as novas possibilidades para as interações humanas, são conquistas irreversíveis e positivas. A tecnologia provoca uma verdadeira revolução na medicina com formas de tratamentos que prolongam cada vez mais a vida das pessoas. Enfim, ninguém abriria mão das conquistas vivenciadas no mundo contemporâneo.
Entretanto, esse mesmo mundo contemporâneo também nos deixa perplexos e confusos porque, apesar de ter deixado para trás os fantasmas de uma Era das trevas, a sociedade está cada vez mais perdida existencialmente. As distâncias geográficas e culturais que foram rompidas, na prática também intensificaram o individualismo moderno. Questões como ansiedade, depressão, solidão, entre outras, nunca foram pautas tão discutidas.
O acesso à informação nunca foi tão fácil e disponível, contudo a sociedade moderna se mostra cada vez mais polarizada e, a bem da verdade, não menos alienada do que as gerações que nos antecederam e foram assim analisadas. A ciência trabalha de forma frenética em busca de conhecimento para que o Homem possa viver mais e melhor, contudo, não se sabe ao certo o porquê viver mais. Tudo gira em torno do “ganhar tempo”, mas para quê? Ao preço do abandono de pequenos, mas significativos, hábitos de outrora? Cabe a ironia de uma criança que desmonta o argumento de um moderno vendedor de pílulas que tiraria a sede das pessoas resultando em uma “economia de tempo” de 53 minutos por semana que, depois, poderia ser gasto com o que bem quisesse: “Se eu tivesse 53 minutos para gastar, caminharia calmamente em direção a uma fonte (de água fresca para beber)”, disse o pequeno nobre de Saint-Exupéry (2021).
A celeridade e a superficialidade com que se processam as dinâmicas no campo profissional também se estendem às relações sociais na Contemporaneidade. Aliás, neste trabalho assumimos a expressão baumaniana de Modernidade Líquida para designar a contemporaneidade, sobretudo pela afirmação da mudança paradigmática de pensamento que caracteriza a sociedade atual e pelo impacto causado em todas as pessoas. Indistintamente, a mudança de paradigma afeta a todos, mas sugerimos que seja entre os idosos que os impactos da liquidez moderna exigem um urgente reposicionamento identitário.
No processo de envelhecimento, que envolve simultaneamente transformações físicas, sociais e psíquicas, o ser humano pode deparar-se com um sentimento de desamparo e uma sensação de finitude que é cada vez mais presente nesta temporalidade. Isso acontece porque a pessoa idosa encontra-se inserida em uma sociedade que não é mais aquela em que nasceu e cresceu. As antigas relações sociais baseadas na coletividade perderam espaço para um sistema social centrado nas individualidades, então resta apenas lembrança, “o que sobra dos sonhos de uma vida melhor, compartilhada com vizinhos melhores, todos seguindo regras de convívio” (Bauman, 2001, p. 108).
Ora, se Berlinck (1996) entendia o envelhecimento como um descompasso entre uma psique atemporal em um corpo temporalizado e regido por processos biológicos, em tempos de derretimentos de sólidos estruturais vivenciados pelos hoje idosos, torna-se necessário repensarmos as implicações destas mudanças impostas sobre a subjetividade dessas pessoas. E, a partir desta análise, favorecermos a prevenção de quadros envolvendo apatia social e, consequentemente, o aumento dos índices de depressão e ansiedade, por exemplo.
Assim, falar sobre essa característica do mundo contemporâneo e suas implicações na psiquê de idosos se mostra também uma forma de discutirmos, neste momento ímpar da sociedade em que temos a impressão de que estamos sendo levados por uma nova ordem social que provoca simultaneamente admiração e temor, é uma forma de contribuir para que as pessoas idosas possam vivenciar mais os aspectos positivos dessa fase do que os tons negativos, experimentando-os de forma saudável em seu desenvolvimento humano. Entendemos ser plenamente possível que nesta demanda de reconstrução social que os idosos se encontram na Modernidade Líquida, por seu trabalho de “lembrar” e pela arte de “burilar o espírito” (Bosi, 1994), eles encontrem outras possibilidades para si e para os demais.
Contudo, a velhice, no plano humano, não se descola da ideia de degeneração. Assim, por mais que sob outros paradigmas se fizessem “elogios da velhice” – como diz Beauvoir (2024) acerca de abordagens anteriores da velhice -, a sociedade moderna e ocidentalizada se mostrou implacável ao desbancar estas imagens outrora dignificantes da velhice, substituindo-as por inutilidade, miséria e abandono.
Portanto, iniciamos este trabalho – fruto de uma perspectiva interdisciplinar voltada às discussões já elaboradas tanto na Psicologia Social quanto nas Ciências Sociais – fazendo (1) um breve escorço do conceito baumaniano de Modernidade Líquida, seguido de uma discussão sobre (2) a constituição do sujeito idoso contemporâneo e sobre (3) os estigmas acerca do processo de envelhecimento que se convém recusar. Importa-nos, sobretudo, a percepção de que o envelhecimento é também um modo-de-ser no mundo que reafirma a humanidade e dá sentido existencial àqueles que chegam a vivenciar esta fase da vida.
1. O conceito de Modernidade Líquida
Classificar um período histórico é uma tarefa difícil, ainda mais quando esse período está em curso, pois falta-nos as respostas que só o desenrolar do tempo pode oferecer. Alguns autores falam em pós-modernidade[1], hipótese criticada porque, segundo seus críticos, características da Modernidade como a razão, a ciência positivista, ideais de liberdade ainda fazem parte da estrutura da sociedade contemporânea. Para eles, não houve uma ruptura histórica que nos permita afirmar que vivenciamos um novo momento para além da Modernidade. Para esses críticos, a ideia de “pós(modernidade)” seria muito mais um “anti”(recusa): antimodernidade, anti-iluminismo. Isso porque apesar dos avanços alcançados com os ideais iluministas, a promessa de libertação das “trevas para a luz”, não passou de uma utopia.
Portanto, ainda viveríamos a Modernidade, mas com características diferentes. Neste caso, optam-se por termos como: alta-modernidade (Giddens, 2008), hiper-modernidade (Lipovetsky, 2004) e modernidade líquida (Bauman, 2001). Zygmunt Bauman foi um filósofo e sociólogo contemporâneo que escreveu diversas obras publicadas no Brasil, tais como: O Mal-Estar da Pós-Modernidade (1998); Amor Líquido: sobre a Fragilidade dos Laços Humanos (2004); Vida em fragmentos: sobre a ética pós-moderna (2011); Retrotopia (2017); entre outras. Sua obra mais marcante sobre a realidade contemporânea foi Modernidade Líquida (2001).
Segundo o autor, a Modernidade Líquida é uma contraposição à Modernidade, pensada como “Sólida”, marcada pela rigidez e solidificação das relações humanas. A Modernidade Líquida seria, então, o fim de um período histórico marcado por essa solidez estruturada por referenciais como família, religião, nacionalidade e ideologia política. Esses referenciais sólidos teriam sido “derretidos”, abrindo espaço para um novo paradigma social denominado “Líquido”, pela sua fluidez e velocidade com que passa a processar mudanças nos pensamentos e nas relações sociais. Segundo o autor, vivemos esta época em que a incerteza é o único fato seguro; tudo é fluido, volátil, superficial e momentâneo. As relações sociais, os valores, as tradições e as narrativas explicativas que outrora formam estruturantes e estáveis teriam sucumbido ao novo espírito temporal, tornando-se fugazes, pragmáticas, hedonistas e, contrapondo-se à Modernidade, não é feito para durar.
Com os novos referenciais líquidos, a pessoa seria percebida por seu estilo de vida e principalmente pelo que consome. Entre as principais diferenças da Modernidade para a Modernidade Líquida poderíamos destacar: (1) as mudanças na concepção de família como a inclusão de novas configurações das uniões homoafetivas e múltiplas, abolindo o formato tradicional da família burguesa; (2) a lógica do consumo, que deixa de ser para a sobrevivência e passa a ser recurso para aceitação social; (3) Instituições fluídas, virtuais e representativas passam a ofuscar antigas instituições físicas como fábricas, marcas consolidadas e empresas familiares; (4) a globalização e o relativismo sobrepõem-se respectivamente aos nacionalismos e a padrões políticos fixos; (5) apatia cultural e secularização que avançam sobre tradições culturais e religiosas como em nenhuma época anterior.
A liquidez a que Bauman (2001) se refere seria justamente essa inconstância e incerteza que a falta de pontos de referência socialmente estabelecidos e generalizadores provocam. Sem os referenciais sólidos de outras épocas, abrir-se-iam espaços para ideologias consumistas, marcadas pelos interesses capitalistas. A mudança de paradigma, marcada por uma acentuada intensificação do capitalismo, fragilizariam ainda mais os laços sociais entre pessoas e instituições. A dependência do consumo exacerbada passaria a ser um importante distintivo da nova temporalidade, onde pessoas passariam, inclusive, a ser reconhecidas por sua capacidade de consumir. Mais do que os produtos e mercadorias de outrora, as pessoas passariam a encontrar (comprar) neles também afeto, atenção e aceitação. Na contemporaneidade o amor e as relações são fugazes e descartáveis, o sexo torna-se uma busca do prazer instantâneo e o indivíduo passa a ser simultaneamente consumidor e mercadoria consumível.
Assim, o sujeito “líquido” (o integrante da sociedade líquida), na ausência de referenciais sólidos, coloca toda a responsabilidade de referência em si. Alguns aspectos da modernidade líquida como, por exemplo, ideais de que tudo depende de si ou que os desígnios de sua vida dependem de suas escolhas, de seu desempenho e produção, apesar da aparente positividade, na verdade, podem gerar pessoas inseguras, ansiosas, imediatista, individualista e preocupadas com sua imagem. Segundo o filósofo Byung-Chul Han, a “sociedade do desempenho” e “da positividade”, produz depressivos e fracassados. A pressão por desempenho, imposta a si mesmo, leva ao esgotamento. Segundo o autor:
O sujeito do desempenho encontra-se em guerra consigo mesmo. […] É senhor e soberano de si mesmo. Assim, não está submisso a ninguém ou está submisso apenas a si mesmo […] A queda da instância dominadora não leva à liberdade. Ao contrário, faz com que liberdade e coação coincidam. Assim, o sujeito do desempenho se entrega à liberdade coercitiva ou à livre coerção. […] Os adoecimentos psíquicos da sociedade de desempenho são precisamente as manifestações patológicas dessa liberdade paradoxal (Han, 2020, pp. 29-30).
Assumindo a perspectiva baumaniana de que estamos em uma Modernidade Líquida, como a descrevemos brevemente, nos deparamos com o grande desafio imposto aos sujeitos líquidos, sobretudo, aqueles que foram constituídos em outro momento histórico, como as pessoas idosas. Conhecer essa população e acompanhar seu reposionamento identitário e sociopolítico nas novas dinâmicas conjunturais configura-se também como um emergente desafio para a Psicologia Social e as demais ciências humanas.
Para sentir-se incluído na modernidade líquida é preciso mais do que dominar algum tipo de tecnologia e participar de redes sociais. É preciso participar da cultura líquida, assumir o relativismo cultural, além de positivar as oportunidades surgidas. Sabe-se que não é fácil abandonar tradições, substituir valores e adaptar-se a uma realidade sem o risco de enveredar-se pela apatia social, que segundo Laraia (2001) é a reação decorrente da perda de confiança na cultura, na cosmovisão e nos valores que mantêm as pessoas vivas e unidas em uma sociedade. Corre-se o risco de desestabilizados em meio a crises de apatia cultural, as pessoas rendam-se à depressão e à morte.
Assim, para a pessoa com mais idade, fazer parte efetivamente da sociedade líquida não é simples. Valores e princípios que são a base de sua constituição humana, como suas experiências e as memórias das pessoas que fizeram parte de sua história marcam sua percepção de si e sua identidade. E, quando esses valores e princípios são questionados ou invalidados, podem, sim, desaguar em uma resignação fatal ao idoso.
2. A Constituição do sujeito idoso na sociedade líquida: nem tudo está perdido
Somente os idiotas se lamentam de envelhecer
(Cícero)
Nem tudo na modernidade líquida é ruim ou representa retrocesso. A ausência de referenciais sólidos, quando vivenciados de modo consciente, pode facilitar processos como a reinvenção de si mesmo, principalmente diante da conscientização de que “quem somos” não é mais suficiente para estar bem. Uma pessoa idosa não precisa aceitar estereótipos de que pessoas idosas como ela são aquelas que fazem crochê, jogam bocha, cuidam dos netos e vivem falando de doenças.
As tecnologias, também, podem facilitar a criação de novas amizades, retomar vínculos que o tempo e/ou a distância impossibilitaram no passado e, inclusive, ser fonte de desenvolvimento cognitivo. Uma pessoa idosa pode estender seu tempo de autonomia e independência mantendo sua condição de sujeito, tendo em vista que a liquidez confere também opções e possibilidades criativas como o acesso quase ilimitado a informações sobre a realidade e novas formas para viver mais e com qualidade de vida. As redes sociais, por exemplo, podem ser utilizadas como espaço de lutas por direitos e dignidade, reaproximar contatos e amizades da infância ou mesmo de exposição de memórias e habilidades.
Corroborando com o paradigma baumaniano, ressaltamos que, para a Psicologia Social Sócio-histórica, não existe “natureza” humana predeterminada e determinante. Segundo Bock (1997), essa ideia de que há algo que universaliza o sujeito tem um caráter ideológico, porque camufla a tentativa de determinação social. Não faz sentido pensar a construção humana de forma descolada de sua realidade social. Não existe “essência” humana. Segundo a autora, existe sim, a “condição” humana; nada no humano está pré-concebido; nada há em termos de habilidades, valores, aptidões ou tendências que nasçam com o ser humano.
A estrutura biológica é apenas uma das condições necessárias para o desenvolvimento do humano que depende das condições sócio-históricas. A criança só irá desenvolver habilidades como falar, andar, pensar ou qualquer outra habilidade humana na interação com o outro. Ao nascer, nos deparamos com um universo “pronto”. Tudo está aparentemente estabelecido. Os signos estão dados, pois não escolhemos o primeiro núcleo de socialização (família) e nem mesmo nosso nome com o qual inicialmente iremos nos identificar. Porém, será o processo de apropriação desse universo dado que definirá nossa constituição, ou seja, vamos nos tornando alguém à medida que interagimos com as pessoas, com a cultura, enfim, com o contexto imediato dado.
… nascemos ninguém e vamos nos tornando alguém na medida em que vivenciamos as relações com as coisas, com os homens, com o tempo e com o corpo. […] constituímos nossa identidade a partir daí, e, enquanto produto das relações, esta identidade, este EU, é uma síntese inacabada, uma totalização destotalizada e retotalizada para se destotalizar novamente: a identidade é histórico/dialética (Maheirie, 1994, p. 115).
Para Vygotski (1994), a constituição do sujeito acontece pela mediação humana, pois é através das mediações que uma pessoa vivencia e transforma seu contexto social e se apropria dos signos. Este processo pode ser compreendido a partir da dialética entre objetividade e subjetividade. Segundo o autor, o “eu” se constrói na relação com o outro, em um sistema de reflexos reversíveis em que a linguagem, ao desempenhar a função de contato social, influencia o comportamento e a consciência. Segundo ele, os fenômenos subjetivos não existem por si mesmos, desconectados de um contexto histórico. Sua concepção de homem afirmava que só existe o reconhecimento do eu no reconhecimento do outro. O outro determina o eu, ambos mediados socialmente em um processo interminável. Assim, pessoas idosas e sociedade, em uma relação dialética podem construir um mundo mais acolhedor e inclusivo.
Segundo Sartre (2002), a constituição do sujeito se caracteriza pela superação de uma situação dada, anterior e exterior ao homem, que aparentemente o objetiva; contudo, à medida que realiza suas escolhas, diante do possível apresentado, ele está criando sua história, superando a condição anterior, de objeto de outros e de outras histórias criadas ao assumir o papel de sujeito. Ele cita de Engels que:
… os homens fazem a sua história na base de condições reais anteriores (entre as quais, deve-se contar os caracteres adquiridos, as deformações impostas pelo modo de trabalho e de vida, a alienação etc.), mas são eles que a fazem e não as condições anteriores: caso contrário, seriam os simples veículos de forças inumanas que, através deles, regeriam o mundo social. Com toda a certeza, estas condições existem e são elas, e somente elas, que podem fornecer uma direção e uma realidade material às mudanças que se preparam; mas o movimento da práxis humana supera-as, conservando-as (Sartre, 2002, p. 74).
Portanto, a dialética entre o homem ser produto da história e a história ser produto do homem seria a maior contribuição do marxismo. Em todo caso, Sartre sugere que é sempre o homem quem determina seu lugar e papel, seja passivamente como objeto ou ativamente como sujeito. Se as circunstâncias ou contextos modificam o homem, o mesmo homem tem o atributo de modificar estas circunstâncias.
O ser humano é um ser de resistência, que se inventa e se renova, e sempre buscará suprir suas necessidades, ainda que, muitas vezes, de forma que contraria a si mesmo. Em sua construção social a pessoa idosa pode encontrar seus outros “eus” e deles se diferenciar ou aproximar, pois “a expressão do outro ‘outro’ que também sou eu consiste na metamorfose da minha identidade, na superação de minha identidade pressuposta” (Ciampa, 1995, p. 180).
Assim, se a insegurança, tão característica da modernidade líquida, se impõe sobre o homem, isso não significa que ela o determinará. Embora o idoso possa sentir as implicações da Modernidade Líquida em uma dimensão maior, sobretudo naqueles vulnerabilizados, ela não deve defini-lo. Bauman (2001) aponta que o medo, a exposição, a indiferença e a insegurança fazem parte da Modernidade Líquida como um todo, sobre todos. Então, o que esta conjuntura pode oportunizar é a possibilidade de se assumir sujeito da sua história. A questão é: como? Quais dispositivos os idosos podem manipular em favor desta mudança de posição?
Boff (1999) pode agregar com sua abordagem do “cuidar” com “modo-de-ser” que define o ser humano. Para ele, a “essência” da humanidade – que devemos entender aqui como o aspecto que revela, de maneira concreta, como é o ser humano – é o cuidado, e este é, portanto, seu ethos[2]: “Sem o cuidado, ele deixa de ser humano. Se não receber cuidado, desde o nascimento até a morte, o ser humano desestrutura-se, definha, perde sentido e morre” (p. 34).
Ainda segundo o teólogo, citando Heidegger a quem chama de “o filósofo do cuidado”, ressalta: “o cuidado é também ‘uma constituição ontológica’ sempre subjacente ‘a tudo o que ser humano empreende, projeta e faz (…). Por ‘constituição ontológica’, Heidegger entende aquilo que entra na definição essencial do ser humano e estrutura a sua prática” (pp. 89-90). O cuidado (dos outros) não apenas desenvolve o ser humano, mas também estrutura suas ações, o seu modo-de-ser no mundo (para os outros).
Com isso, a consciência de sujeito histórico implica no entendimento de sua ação e reação na vida. Não apenas o ser humano precisa ser cuidado como precisa, reciprocamente, cuidar dos outros. Biologicamente, fazemos isso mediante o trabalho, mas emocionalmente o fazemos pelo sentimento. Estas, para Boff, seriam as duas vertentes expressivas do cuidado como essência humana. Ser humano é, neste sentido, ser cuidado e cuidar: relação, portanto.
Quanto à humanidade do homem, embora ela nasça com uma estrutura biológica potencializadora da vida humana, ele vai se humanizando através dos processos socio-históricos que viverá. Trata-se, então, de um processo que acontece durante toda a vida na interação com o social. A pessoa idosa não deve deixar de lutar por sua humanidade, ao contrário, deve assumir sua subjetividade e buscar seu reconhecimento social. A condição humana implica ação. Por mais socialmente vulnerabilizado que esteja, ninguém deixa de ser humano ao envelhecer nem se torna desnecessário na relação social.
O sujeito se forma na vontade de escapar às forças, às regras, aos poderes que nos impedem de sermos nós mesmos, que procuram reduzir-nos ao estado de componente de seu sistema e de seu controle sobra a atividade, as intenções e as interações de todos. Estas lutas contra o que nos rouba o sentido de nossa existência são sempre lutas desiguais contra um poder, contra uma ordem. Não há sujeito senão rebelde, dividido entre raiva e esperança (Touraine, 2007, p. 119).
Essa transformação, que começa pela conscientização, envolve sociedade, governo, família, profissionais da saúde e das ciências sociais. É o que Foucault (2002) chamou de “politização do social”, ou seja, um processo em que público e privado adquirem novas configurações. Se antes era uma questão de luta de classes, na sociedade contemporânea os conflitos são plurais. Faz-se necessário unir esforços para manter o equilíbrio social, tendo em vista a velocidade com que a população envelhece e a dimensão do desafio. Os processos democráticos devem ser fortalecidos na lógica do cotidiano. A condição de sujeito surge à medida que tomamos consciência do caráter político da cena humana. Assim se constrói o sujeito, seja ele jovem ou idoso: na pluralidade social. A modernidade líquida é uma realidade que se impõe a todos e nos obriga a metamorfoses de toda ordem, em nós e nos outros.
Refletir sobre o momento histórico que vivemos resulta em buscar conhecimento sobre fenômenos que influenciam a vida de cada indivíduo e suas implicações para a sociedade. O conhecimento sobre o que move as estruturas sociais que organizam e determinam o saber humano é condição sine qua non para uma sociedade consciente, que acolhe as pessoas idosas como personagem importante para compreender o seu presente.
3. Estigmas do processo de Envelhecimento
Qual seria a sua idade se você não soubesse quantos anos tem?
(Confúcio)
A longevidade de vida é uma conquista recente da humanidade. Alguns países alcançaram índices de expectativa de vida próximo a 90 anos. Isso é mais do que o dobro de alguns séculos atrás, quando a expectativa de vida não passava de 40 anos. Porém, essa conquista tem implicações em todos os segmentos da vida em sociedade.
Todos estão aprendendo a lidar com o fenômeno do envelhecimento na atualidade. As dificuldades vão desde as mais simples às muito complexas. Dentre as “simples” está a de que modo se deve classificar a pessoa de mais idade. Poderíamos usar o termo “velho” ou deveríamos usar conceitos como: “melhor idade”, “terceira idade”, “adulto maduro”, “meia idade”, “idoso jovem”, entre outros, para evitarmos embaraços? Ao nos aproximarmos das teorias do processo de envelhecimento percebemos que a dificuldade não era apenas nossa; são muitas as tentativas de desconstruir algo socialmente estabelecido e individualmente internalizado como os termos estigmatizantes. Segundo Ferreira (2000), o termo “velho” representa algo antigo, gasto pelo tempo, ultrapassado e sem muita utilidade. Talvez a discussão seja válida, pois o fato de existir diversas palavras para identificar um perfil societário pode evidenciar tentativas de livrar-se de estereótipos e preconceitos circunstanciais.
Ao falarmos dos termos para as pessoas idosas estamos falando de construções sociais e, assim, qualquer classificação etária estará sujeita a uma determinada perspectiva. A Biologia trabalha com marcadores concretos, relacionados a alterações corporais do ser humano. Essa perspectiva pressupõe que a vida é um organismo multicelular que, com o passar do tempo, sofre mudanças corporais em que surgem as rugas, os cabelos brancos e outros efeitos do envelhecimento. Por outro lado, a perspectiva Social trabalha com papéis sociais e hábitos esperados do sujeito para aquela idade e investiga como os fatores ligados à cultura, ao contexto histórico e às relações com o meio ambiente contribuem com o processo de envelhecimento. Fatores como a redução das oportunidades de trabalho, filhos que saem de casa e diminuição das atividades sociais são marcadores sociais importantes.
Diferente das perspectivas anteriores, a Psicologia não trabalha com marcadores que generalizam a experiência de vida das pessoas. A Psicologia inclui a noção subjetiva de idade do próprio indivíduo perante outros de sua idade e seu potencial psicológico de memória, atenção, aprendizagem entre outros (Schneider e Irigaray, 2008). Quando Freud nos apresentou o inconsciente com um modo próprio de funcionar, ele contrapôs a ideia de tempo cronológico como marcadores definitivos para o envelhecimento. O desejo, fator motivador da vida, não tem idade.
Neste sentido, para além da idade cronológica – que no Brasil está prefixada em 60 anos de idade para definir a pessoa idosa segundo o Estatuto do idoso (Lei nº 10.741/2003) -, é, sobretudo, a idade psicológica que nos interessa. Segundo Neri (2005), a idade psicológica (o envelhecimento psíquico) de alguém está relacionada com o autoconhecimento e com a avaliação que a pessoa faz das suas vivências. Essa idade psicológica consiste na “maneira como cada indivíduo avalia em si mesmo a presença ou a ausência de marcadores biológicos, sociais e psicológicos da idade, com base em mecanismos de comparação social mediados por normas etárias” (p. 43).
Ainda que corpo e mente sejam instâncias complementares, a mente não é, necessariamente, determinada por marcadores cronológicos, ou seja, a mente não envelhece exclusivamente por determinações do tempo. A mente é capaz de criar mecanismos para que a pessoa possa lidar com as transformações. E nessa dialética entre corpo e mente há um processo em que “a pessoa sabe que não é mais jovem, mas ainda não se considera velha; revive um período de indefinição” (Soares, 2012, p. 21). Envelhecer é um fenômeno complexo e heterogêneo; uma experiência individual que pode ser percebida de maneira positiva ou negativa.
A velhice é um conceito extremamente subjetivo, uma vez que é um processo onde a forma como o idoso se vê e se percebe, bem como a forma como é visto pelos outros, é fulcral, podendo afirmar-se que não existe ‘‘velhice’’ mas antes velhices, dependendo dos sujeitos e da forma como a experimentam (Altman, 2011, p. 194).
Portanto, estabelecer critérios rígidos e generalizados para o início do envelhecimento sempre gerará questionamentos. Na verdade, poderá até apontar mais exceções do que a regra geral por conta dos idosos que não se consideram de acordo com a imagem predefinida para ele. Para Neri (2005), são consideradas pessoas idosas, aquelas que, em virtude da força, funcionalidade, produtividade e desempenho de papéis sociais primários, apresentam diferenças significativas, quando comparados com pessoas mais novas.
Na tentativa de superar estigmas e quebrar estereótipos, pesquisadores como Manoel Berlinck, incorporaram novas formas de referenciar os idosos. O autor entendia que todas as transformações vivenciadas durante a vida de uma pessoa deveriam ser analisadas como “desenvolvimento”, portanto, faria mais sentido falar em “envelhescência”.
A envelhescência é um momento muito específico, tal como a adolescência, que pode ser vivida de múltiplas maneiras. Esse encontro da alma sem idade com o corpo que envelhece só compõe a envelhescência se for vivido de forma mais natural possível (Berlinck, 1996, p. 195).
Segundo o autor, o termo “envelhescência” fora criado com a proposta de um olhar mais humano e coerente a fim de garantir que a velhice em si fosse mais saudável em muitos aspectos. O autor explicou que, assim como a adolescência, marcada por transformações físicas, psíquicas e sociais são assustadoras, o mesmo acontece na envelhescência. Ora, a adolescência também é marcada por perdas sentidas como a do corpo infantil autoerótico, das regalias e privilégios pertinente à infância. A perda da identidade infantil exige que o adolescente vivencie batalhas solitárias para construir sua nova identidade e provar, para familiares e sociedade, seu potencial como indivíduo. Do mesmo modo, também acontecem perdas às pessoas idosas na envelhescência. Sendo esta uma fase de luto, marcada por perdas como a do vigor físico, sua aparência deixa de ser apreciada e algumas habilidades deixam de existir, embora outras habilidades, físicas, psíquicas e sociais possam ser desenvolvidas.
Os projetos de vida já não podem ser em longo prazo; alguns sonhos são interrompidos definitivamente; o corpo não responde a certos estímulos e novas necessidades surgem. Contudo, a pressa e as pressões sociais para ser ou ter são diminuídas, os valores e as relações são ressignificadas. A envelhescência pode ser, então, uma oportunidade para, por exemplo, ressignificar o narcisismo primário, tão característico em todos. Trabalhar com novas perspectivas para compreender esse momento da vida pode ser uma forma de combater preconceitos, quebrar estigmas e contrariar estereótipos. A experiência de anos vivenciados permite usufruir melhor de seu tempo e aproveitar seu presente sem as limitações que, muitas vezes, manifestam inseguranças como ter que ser melhor (ou ter que parecer ser melhor) que outros. Uma forma de resistência às implicações negativas Modernidade Líquida.
Esse encontro da idade cronológica com a idade mental pode representar um salto qualitativo na superação de limitações ideológicas e da falta de conhecimento de si mesmo. Na adolescência elaboramos projetos de mudar o mundo; na envelhescência os projetos são elaborados para mudar nossa própria história.
O conceito de envelhescência não carrega os estereótipos de decadência do envelhecimento. Não se limita a pensar a velhice apenas no viés biológico porque entende que o indivíduo pode reelaborar suas vivências mesmo na velhice. Em todo caso, é fato que com as novas configurações societárias da população mundial, as concepções de idoso (e outros termos que o designam) passam por um momento de classificação, transição e contradições.
Vale ressaltar que para Winnicott o desenvolvimento do ser humano ocorre através de fases, sendo que, em cada uma delas é esperado que alcancemos determinados graus de maturidade. Segundo ele, “o adulto sadio é maduro enquanto adulto, o que significa que já transpôs todos os estágios de imaturidade, isto é, todos os estágios maduros anteriores” (Winnicott, 2005, p. 129). Portanto, é de se considerar que assim como as demais fases do desenvolvimento humano, a envelhescência envolva a arte de saber viver; com momentos tristes e alegres; com alguns objetivos alcançados e outros não; com ganhos e perdas, assim como as demais fases da vida humana.
Considerações finais
Reservamos os parágrafos finais deste artigo para reafirmar a demanda de um reposicionamento tanto dessa significativa parcela da população – as pessoas idosas -, quanto da sociedade civil e dos governos, em busca de uma convivência harmoniosa e equilibrada.
Soares (2012) falou de “velhices”, no plural, ao se referir às distintas noções de velhice dos diversos segmentos que a abordam. Se da parte do idoso se espera uma adequação à atual estrutura sociopolítica e aos desafios nela implícitos, da parte da sociedade se espera a conscientização e o respeito para com os idosos a fim de que eles possam experimentar metamorfoses na identidade de forma satisfatória e integradora.
Mantendo-se uma sociedade alienada por ideais exacerbadamente capitalistas e que trata o idoso como ultrapassado e, portanto, descartável, invisibilizam-se tantos os sujeitos que eles são quanto os processos identitários em andamento. Assim, a conscientização social é condição sine qua non para a compreensão de que as transformações na identidade façam parte da evolução de toda vida humana, quanto mais da população idosa.
Assim como os instrumentos de defesa das crianças, os instrumentos de defesa dos idosos existentes podem ser aperfeiçoados. São direitos garantidos e compete a todos a atenção a estes mecanismos. A emancipação de uma identidade negativamente idealizada em outros contextos pode ser vencida na atualidade se as subjetividades das pessoas idosas forem reconhecidas e a integração for facilitada.
As características da modernidade líquida também podem facilitar a reinvenção do Eu. Pessoas com mais tempo de vida resolvem problemas com mais assertividade porque ao longo de anos amadureceram aprendizados. Essa é a fase em que a pessoa deve estar aposentada e assim pode desacelerar seu ritmo de trabalho e dedicar-se melhor ao que fazer com seu tempo livre; talvez viajar, praticar exercícios, se dedicar a passatempos, rever parentes e amigos, ou mesmo retomar estudos postergados.
Assim, diante dos aspectos positivos e negativos que a Modernidade Líquida implica, é importante que o idoso se assuma sujeito de sua história para construir uma forma de ser (identidade) e viver (relações sociais) saudáveis. Reconhecemos que a resignação da pessoa idosa ao se excluir da sociedade ou recusar se reinventar nela é tão devastadora quanto os efeitos opressivos exteriores como a perda de campo de trabalho e dos preconceitos sofridos por novas gerações que contribuem para a invisibilização ou para o afastamento do idoso de espaços públicos e participativos da vida social.
Para estes efeitos exteriores, a Psicologia e as Ciências Sociais podem e têm contribuído por meio de suas pesquisas resultando em políticas públicas e educativas de enfrentamento do desrespeito aos direitos garantidos. O Estatuto do idoso (2003), por exemplo, constitui-se um marco deste processo educacional que visa reparar as perdas históricas da população brasileira idosa e evitar a manutenção de práticas de vulnerabilização e de abandono, inconscientes ou propositadamente opressoras e excludentes, que se escondiam naturalizadas sob supostas permissões culturais em narrativas questionáveis.
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[1] Há uma boa discussão do termo como uma reação à modernidade em Harvey (2008). A pós-modernidade seria uma mudança sentida na segunda metade do século XX, caracterizada pela fragmentação, indeterminação e desconfiança dos discursos universais modernistas.
[2] Boff (1999, p. 39) define ethos como “o conjunto de valores, princípios e inspirações que dão origem a atos e atitudes (as várias morais) que conformarão o habitat comum e a nova sociedade nascente”.
Como citar este texto (NBR 6023:2018 ABNT)
BESERRA, Rael Bispo (ORCID 0000-0001-9852-3501) . Implicações da Modernidade Líquida na construção social do idoso. Disponível em: https://revistadifatto.com.br/artigos/implicacoes-da-modernidade-liquida-na-construcao-social-do-idoso/. Acesso em: 19/03/2026.
